Defesa de Moro pede apuração sobre assinatura na exoneração de Valeixo

Vinicius Cordeiro

moro valeixo exoneração ministro

Rodrigo Sánchez Rios, advogado de Sergio Moro, defende uma investigação para apurar a assinatura do ex-ministro no documento da exoneração de Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF). Segundo ele, existem “circunstâncias anormais” já que Moro não foi consultado e não concordou com a demissão de Valeixo.

“A Defesa do ex-Ministro Sérgio Moro informa que não houve coleta de assinaturas físicas nem eletrônicas de nenhuma das autoridades com atribuição para o ato. O ex-Ministro não foi previamente consultado sobre a exoneração, com a qual, inclusive, ele não concordou. É preciso, portanto, a apuração das circunstâncias anormais envolvidas na publicação oficial”, diz Rios, em nota.

A defesa de Moro se manifesta após o governo federal admitir que Moro não autorizou o uso de sua assinatura. A informação está presente em um ofício enviado pela Secretaria-Geral da Presidência à PF. O órgão argumentou que a presença do nome do ministro relacionado à decisão publicada no Diário Oficial da União é algo de praxe, mas admitiu um descuido nesse caso.

Vale lembrar que após a publicação com a assinatura de Moro, uma edição extra foi publicada no Diário Oficial para a demissão de Valeixo – essa sem o nome do ex-ministro.

EXONERAÇÃO DE VALEIXO CAUSOU SAÍDA DE MORO

Maurício Valeixo foi exonerado do cargo de diretor-geral da PF no final de abril. A demissão, imposta pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a Moro gerou o pedido de demissão do então ministro. Em seu discurso, Moro apontou que Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF, cobrando relatórios de investigações.

As acusações geraram o inquérito que investiga essa suposta ação do presidente. Além dos depoimentos de Moro e Valeixo, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) também autorizou pelo menos mais 10 depoimentos. Já na última sexta-feira (22) ele autorizou a divulgação do vídeo da reunião interministerial do dia 22 de abril.

No registro audiovisual, Bolsonaro disse que “vou interferir, sim” e olha para Moro, mas alega que existe a preocupação com a segurança da sua família.

Além disso, o vídeo também revela declarações fortes de três ministros. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, pediu cadeia para “vagabundos, começando no STF”, enquanto a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que pediu prisão de governadores e prefeitos. Por fim, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a pandemia do coronavírus era uma oportunidade para “passar a boiada” e simplificar normas.

Previous ArticleNext Article