Caso vídeo não venha a público, defesa de Moro pede divulgação das falas de Bolsonaro

Vinicius Cordeiro

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A defesa de Sergio Moro encaminhou, nesta quarta-feira (13) seu posicionamento favorável a divulgação do vídeo da reunião interministerial do dia 22 de abril. Os advogados afirmam que a publicação do conteúdo vai se caracterizar como “verdadeira lição cívica”, mas avaliam que, no mínimo, as falas do presidente Jair Bolsonaro devem ser transcritas e vir a público.

“(…) caso não se entenda pela divulgação integral do conteúdo do vídeo, pleiteia-se que sejam publicizadas todas as falas do Presidente da República durante a reunião”, diz a petição.

Conforme decisão do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), todas as partes envolvidas no inquérito que investiga uma interferência política de Bolsonaro na PF (Polícia Federal) devem se manifestar sobre a publicação do vídeo até a noite desta quinta-feira.

No documento, os advogados do ex-ministro Moro reforçam que a exibição do registro audiovisual não levaria risco à segurança nacional e nem sequer aborda nenhum assunto com segredo de Estado.

MORO NÃO APOIOU BOLSONARO DURANTE PANDEMIA DA COVID-19

O documento enviado diz que as falas de Bolsonaro foram direcionadas a Moro durante a reunião pelo ex-ministro não ter apoiado diversas condutas do presidente.

Além da questão do comando da PF, são citadas a falta de apoio na presença de Bolsonarono ato do dia 19 de abril, nas manifestações contra o distanciamento social e minimizando a gravidade da pandemia do coronavírus.

“A divulgação integral do conteúdo da gravação permitirá verificar que as declarações do Presidente da República foram, sim, direcionadas ao Ministro da Justiça, especialmente por este: a) não ter apoiado a ida do Presidente da República ao ato de 19 de abril; b) não ter apoiado o Presidente da República em suas manifestações contrárias ao distanciamento social; c) não ter apoiado as declarações públicas do Presidente da República de minimizar a gravidade da pandemia; d) não ter concordado com a interferência do Presidente da República na PF do Rio de Janeiro e na Direção-Geral”, diz outro trecho do documento.

BOLSONARO NEGA QUE TENHA FALADO PF E SUPERINTENDÊNCIA EM REUNIÃO

Ontem (12), após o vazamento de informações do conteúdo do vídeo, Jair Bolsonaro falou à imprensa que não citou a PF ou Superintendência em nenhum momento da reunião do conselho ministerial.

Além disso, ele também afirmou não estar preocupado e que a fita do vídeo deveria ter sido destruída.

“Zero [preocupação]. Nunca tive ninguém da minha família investigado pela Polícia Federal. A fita era para ter sido destruída, mas não foi”, completou.

Enquanto o ministro Celso de Mello é o encarregado por decidir sobre a publicação ou não do vídeo, o inquérito segue na fase dos depoimentos.

Ontem, os três ministros militares do governo federal – Walter Braga Netto, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno – prestaram depoimentos. Antes, Sergio Moro e Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da PF, também falaram enquanto a deputada federal Carla Zambelli será ouvida nesta tarde.

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