Moro e Deltan celebram aniversário de seis anos da Lava Jato

Redação

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Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, e Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, celebraram o aniversário de seis anos da operação completados nesta terça-feira (17).

“A prioridade é o combate ao coronavírus. Breve interlúdio para lembrar seis anos da Lava Jato. O combate à corrupção é uma luta perene. Menos corrupção significa também mais recursos para saúde”, disse Moro, ex-juiz federal e responsável por grande parte das sentenças da Lava Jato.

“Muito se avançou para responsabilizar poderosos que se achavam acima da lei e recuperar bilhões desviados, mas ainda há muito por fazer”, disse Deltan.

LAVA JATO COMPLETA SEIS ANOS

Criada em 2014, a Operação Lava Jato teve 70 fases, ofereceu 118 denúncias e recuperou mais de R$ 4 bilhões. Ao todo, são 500 pessoas acusadas, 52 sentenças e 293 prisões efetuadas (130 preventivas e 163 temporárias).

De acordo com o balanço oficial, foram 253 condenações efetuadas, sendo 165 nomes únicos, a um total de 2.286 anos e sete meses de pena.

Do valor recuperado, R$ 4.023.990.764,92 foram destinados à Petrobras, R$ 416.523.412,77 aos cofres da União e R$ 59 milhões para a 11ª Vara da Seção Judiciária de Goiás, decorrente da operação que envolveu a Valec. Além disso, R$ 570 milhões foram usados para subsidiar a redução dos pedágios no Paraná.

OS MAIORES POLÍTICOS PRESOS NA LAVA JATO

A Lava Jato se tornou a maior operação contra a corrupção na história do país por ter trunfos contra algumas das principais autoridades do país. Além de executivos de empresas, como Petrobras e Odebrecht, diversos vereadores, senadores e deputados envolvidos nas investigações.

Já ministros, como Antônio Palocci e José Dirceu, também foram condenados e presos. Mas quatro figuras políticas se destacaram:

LULA

Lula na sede Polícia Federal em Curitiba, onde permaneceu preso por mais de um ano. (Theo Marques/FramePhoto/Folhapress)

Luiz Inácio Lula da Silva entrou em liberdade no dia 8 de novembro, após 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi solto graças ao novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), contra a execução provisória de pena de prisão após condenação em segunda instância.

Lula responde em nove processos diferentes, tramitando em Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro. O que fez ele ser preso foram as condenações pelo triplex do Guarujá, onde é acusado de receber propina da OAS por meio de reformas no apartamento do litoral de São Paulo em troca de favores para diretores da Petrobras.

Outro processo que Lula foi condenado, em segunda instância, foi o sítio de Atibaia, também em SP. Assim como no triplex, ele teria sido beneficiado por reformas em um esquema que também envolve integrantes da Petrobras e outras empresas.

Já os outros processos, que Lula ainda não foi julgado, se referem ao Instituto Lula, ‘Quadrilhão do PT’, obras da Odebrecht em Angola, MP das Montadoras, compras de caças em seu governo e beneficiamento da empresa ARG em negócios na Guiné Equatorial.

TEMER

Temer foi o segundo ex-presidente a ser preso na história do Brasil. (Geraldo Bubniak/AGB)

Michel Temer, que sucedeu Dilma Rousseff na presidência da República, foi preso pela primeira vez no dia 21 de março de 2019 em um desdobramento da Lava Jato do Rio de Janeiro. Entretanto, ele foi solto após quatro dias.

Contudo, ele voltou a ser detido no dia 9 de maio, após o TRF-2 cassar o habeas corpus. Dessa vez, ele ficou preso por seis dias e acabou solto após a decisão da 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas tem que cumprir medidas cautelares.

Entre elas, Temer está proibido de mudar de endereço e de sair do país, tendo sido obrigado a entregar o passaporte e ter o bloqueio de bens.

EDUARDO CUNHA

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Eduardo Cunha saindo do exame de delito. (Foto: Giuliano Gomes/Folhapress)

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha já teve duas condenações que somam 40 anos e dois meses mais multa de R$ 7 milhões.

No primeiro processo, sentenciado pelo ex-juiz Sergio Moro, Cunha foi apontado por receber propina, em um contrato da Petrobras, para a exploração de petróleo na África. Já no segundo caso, Cunha foi acusado de cobrar propina de empresários em troca de contratos com a Caixa Econômica Federal.

SÉRGIO CABRAL

sérgio cabral
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Governador do Rio de Janeiro entre 2007 e 2014 e com mandatos como senador e deputado estadual, Sérgio Cabral já foi condenado 13 vezes no âmbito da Lava Jato. Ao todo, suas penas somam 282 anos, cinco meses e três dias de prisão.

No ano passado, ele assinou acordo de delação premiada, homologada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin. Contudo, Cabral segue preso em Curitiba.

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