Política
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Moro vai ao Rio discutir ministério com Bolsonaro

O juiz federal Sergio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável, na primeira instância, pelas ações penais da Op..

Roger Pereira - 31 de outubro de 2018, 15:02

O juiz federal Sergio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável, na primeira instância, pelas ações penais da Operação Lava Jato, vai ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (1º) para discutir com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) o convite para que integre a equipe de governo que assume em janeiro.

Após anunciar que pretendia indicar Moro para a próxima vaga a ser aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a aposentadoria de um dos ministros da corte, Bolsonaro declarou, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, na última segunda-feira, que convidaria o magistrado para sua equipe, oferecendo a ele o Ministério da Justiça.

Em nota oficial divulgada na última terça-feira, Sergio Moro declarou sentir-se honrado com a lembrança e afirmou que, “caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão.

Para atrair Sergio Moro para sua equipe, Bolsonaro estaria disposto a aumentar os poderes do ministério, incorporando atribuição que hoje são da pasta da Segurança Pública, voltando a subordinar ao Ministério da Justiça, por exemplo, a Polícia Federal.

A parentes e amigos, Moro já havia confidenciado que aceitaria a indicação para o STF, mantendo-se na carreira da Magistratura, mas não a um cargo no Poder Executivo, para o qual, inclusive, precisaria pedir exoneração da Justiça Federal.

A nomeação de Moro para o Ministério, no entanto, poderia ser apenas uma etapa antes de ele ser indicado para o Supremo. Como a próxima vaga no STF só deve ser aberta em novembro de 2020, com a aposentadoria do decano Celso de Mello, Moro ocuparia o Ministério até essa data, sendo, posteriormente indicado para a corte. O “trampolim” serviria, também, para evitar críticas à indicação de um juiz de primeira instância para o Supremo, que furaria ordem natural de nomeação de desembargadores ou ministros de outros tribunais. A indicação do atual ministro da Justiça (como foi com Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer) soaria mais aceitável pela comunidade jurídica.