Motoristas de aplicativo querem comissão para discutir estratégias de segurança no PR

Fernando Garcel

Um motorista de aplicativo morreu no final de semana. Amanhã, os motoristas irão para a Assembleia Legislativa cobrar atitudes das empresas e do Estado.

Após a quinta morte de motorista de aplicativo de transporte particular neste ano, um grupo vai cobrar a criação de uma comissão na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para que as empresas trabalhem para criar estratégias de segurança. Hoje, dezenas de motoristas protestaram em frente ao Palácio Iguaçu.

Desaparecido desde sábado (12), o corpo do motorista de aplicativo Valmir Nichel, de 59 anos, foi encontrado em um barranco, na margem de um rio, no limite entre Curitiba e São José dos Pinhais, no fim da tarde de domingo (13). O carro do motorista foi encontrado carbonizado na madrugada de domingo. Os documentos foram encontrados na Estrada do Ganchinho. De acordo com o primeiro laudo do Instituto Médico-Legal (IML), Nichel morreu após várias agressões. Um novo exame deve ser realizado nesta segunda-feira.

Hoje, o secretário de Segurança Pública, Júlio Reis, afirmou que convocou as empresas para discutir sobre segurança com o Departamento de Inteligência do Estado. “Teremos uma reunião entre o nosso departamento de inteligência e as empresas que controlam esses aplicativos para que a gente possa avançar no sentido de que a tecnologia nos auxilie. Dos 10 casos ocorridos no Paraná, seis deles já estão esclarecidos com prisões realizadas. A polícia e a Secretaria de Segurança Pública tem tratado com absoluta prioridade”, conta o secretário Júlio Reis.

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Protesto 

A nova morte motivou um protesto no início da manhã com dezenas de carros em frente ao Palácio Iguaçu. O ato foi organizado por Arnaldo Milki, irmão de um motorista que foi assassinado no dia 19 de janeiro. Na terça-feira (15), o grupo deve cobrar a criação de uma comissão na Assembleia Legislativa. A ideia, segundo ele, é que as empresas sejam convocadas a participar de estratégias mistas de segurança.

“Todos os motoristas são Uber, Cabify, 99 e nada mais justo que a empresa colocar . A empresa só lava mão e para eles a gente é só número. Hoje, nós temos 21 mil motoristas no estado e 17 mil rodando só em Curitiba e região metropolitana. Temos uma média de dois assaltos por dia”, afirma Milki.

Histórico

Desde 2016, quando o primeiro aplicativo começou a operar em Curitiba, dezoito profissionais morreram assassinados – a maioria deles durante o trabalho. Somente neste ano, de acordo com os motoristas, dez profissionais morreram no Paraná. Seis casos ocorreram em Curitiba.

Em outro caso mais recente, quatro pessoas foram presas acusadas da morte de Ricardo Gonçalves Habitzreuter, 27 anos, que foi encontrado na represa do Passaúna, em Araucária. O carro que Ricardo usava era alugado e se envolveu em um acidente na Linha Verde, horas depois do desaparecimento. O motorista do outro veículo envolvido na batida morreu na hora e os suspeitos fugiram a pé.

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