Seis meses de governo: ‘O copo sempre esteve meio cheio’, diz Mourão

Angelo Sfair

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O presidente da República em exercício, general Hamilton Mourão, avalia de forma positiva os primeiros seis meses do governo. Nesta sexta-feira (28) — um dia depois de institutos de pesquisa destacarem a queda da popularidade de Jair Bolsonaro — o militar relativizou as dificuldades vivenciadas pelo Executivo.

“O copo sempre esteve meio cheio, e não meio vazio”, avaliou.

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Mourão admitiu erros do governo, embora tenha evitado discriminá-los. O militar ainda destacou fatores que, na avaliação dele, atrapalharam o início da gestão.

“Eu gostaria de lembrar que o nosso presidente sofreu um atentado no início de setembro; em fevereiro desse ano ele fez uma cirurgia para poder recuperar plenamente a sua vida; e só depois disso ele conseguiu se dedicar com toda a energia”, ponderou.

Sem citar nomes ou exemplos, Hamilton Mourão reconheceu dificuldades de adaptação entre os membros que formam a base do governo.

“Todo começo de atividade requer um equilíbrio nas coisas e uma adaptação daqueles que estão chegando. É óbvio que nos seis primeiros meses [de governo] nós vínhamos buscando isso”, disse, sem entrar no mérito se a tentativa foi bem sucedida ou fracassada.

Embates diplomáticos

Em coletiva de imprensa concedida em Curitiba, onde cumpriu agenda em uma solenidade da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), o presidente em exercício foi questionado sobre os recentes embates diplomáticos com França e Alemanha. Os dois países fizeram críticas à forma como o Brasil tem lidado com questões ambientais.

Hamilton Mourão evitou tomar uma avaliação mais contundente e tratou os episódios como mal-entendidos.

“Uma coisa muito cara a nós brasileiros é o meio-ambiente. Você não encontra isso na Alemanha. É importante que ela [chanceler da Alemanha, Angela Merkel] conheça realmente a realidade do Brasil porque muita coisa [que ela diz] é ‘de ouvir falar'”, afirmou.

Itamaraty e questões de gênero

O general também saiu em defesa da nova orientação do Itamaraty sobre o tratamento das questões relacionadas a “gênero”. O Ministério das Relações Exteriores recomendou que diplomatas brasileiros não ultrapassem a definição biológica do termo quando tratarem do assunto.

“Pra mim gênero é masculino e feminino. O resto é questão de costumes”, frisou.

O presidente em exercício tentou minimizar a polêmica ao afirmar que o País tem outras prioridades.

“Temos hoje 13 milhões de desempregados, 25 milhões de pessoas no sub-emprego, hospitais sucateados, escolas com dificuldades e estradas esburacadas”, listou. “A questão de costumes a sociedade discute e nós chegaremos a um entendimento”, completou.

Cocaína no avião

Durante a coletiva de imprensa, Hamilton Mourão afirmou que o caso envolvendo o segundo-sargento da Aeronáutica preso com 39 kg de cocaína em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) será tratado exclusivamente pelo Ministério da Defesa.

“O culpado já existe. Ninguém vai discutir esse assunto. A Espanha quer encontrar a ligação dele com o tráfico lá; e nós queremos saber quem são os responsáveis daqui. Isso está a cargo do Ministério da Defesa”, resumiu, encerrando a coletiva.

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