MP pede a condenação de 14 pessoas em ação da operação Quadro Negro

Redação e Daiane Andrade - BandNews FM Curitiba

quadro negro

O Ministério Público do Paraná (MPPR) quer a condenação do ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação Mauricio Fanini, também do dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, e de mais 12 réus pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude a licitação e falsidade ideológica no processo que apura o esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 20 milhões da construção e reformas de escolas estaduais no Paraná. Existem, ainda, outros processos desmembrados da Operação Quadro Negro, que aguardam julgamento.

Ontem, o MPPR apresentou as alegações finais nos autos do processo. Agora, as defesas têm o prazo de 10 dias para apresentar suas manifestações antes da sentença da Justiça.

Segundo as investigações, o núcleo empresarial que controlava o esquema era encabeçado por Eduardo Lopes de Souza. Segundo o promotor Felipe Lamarão, isso se deve ao fato de que todos os outros membros da organização criminosa tinham algum tipo de vínculo com ele.

“Temos uma série de argumentos. Nós nos baseamos nos depoimentos testemunhais, nos interrogatórios, periciais, análises de celular e de computadores e de outros elementos de prova que indicam que o que está descrito na denúncia realmente aconteceu. De fato as escolas não foram construídas e os valores foram pagos pelo Estado para a empresa contratada”, explica o promotor.

No âmbito do Poder Público, a peça fundamental para as fraudes foi Maurício Fanini, segundo o MP. A afirmação é a de que, em troca do dinheiro pago pelo empresário, o ex-diretor da Secretaria de Educação usou o cargo para fazer com que outros servidores beneficiassem indevidamente a empreiteira. Além de Fanini e de Souza, os demais réus no processo são ex-funcionários do estado e da Construtora Valor.

Ainda conforme o MP, o setor chefiado por Fanini produzia relatórios fraudulentos sobre as obras nas escolas investigadas, informando que o serviço estava em andamento adiantado. O problema é que, em muitos casos, o trabalho mal havia saído do papel.

Tanto Fanini quanto Souza firmaram acordos de delação premiada dentro da operação Quadro Negro. Nos depoimentos, o ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná disse que o dinheiro da fraude serviu para bancar as campanhas de Beto Richa para a Prefeitura de Curitiba e para o Governo do Paraná entre os anos de 2002 e 2015.

Segundo ele, os valores custearam gastos pessoais do ex-governador. O político tem negado as acusações. O empresário, por sua vez, contou como o esquema de desvios funcionava e revelou nomes de políticos que também teriam se beneficiado com as irregularidades.

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