MP pede que Richa devolva dinheiro gasto em viagem a Paris

Andreza Rossini


Em resposta a recurso, o Ministério Público do Paraná pede que o ex-governador Beto Richa (PSDB) devolva o dinheiro público gasto em uma viagem a Paris, acompanhado da primeira-dama, Marcela Richa, em 2015. O valor estimado é de R$ 24 mil.

Em outubro de 2015, Richa passou o fim de semana em um hotel cinco estrelas em Paris. Quatro pessoas, incluindo o governador e a esposa dele, Fernanda Richa, que é secretária de Desenvolvimento Social, ficaram no hotel Napoléon, em uma das regiões mais luxuosas de Paris, onde a diária custaria entre de 250 euros por pessoa — por volta de R$ 1.000 a 1476 Euros (algo em torno de seis mil reais).

“Em suma, não há nada que justifique a estada dos recorrentes por dois dias, sem agenda oficial, em Paris (França), uma vez que: 1) o feriado chinês ocorreu antes da viagem; 2) haviam outras opções de voo consideravelmente mais econômicas; 3) não havia nenhum compromisso oficial na capital francesa naquele período; 4) a extravagância do Hotel escolhido para a hospedagem, localizado à beira do Arco do Triunfo; 5) a situação econômica precária do Estado do Paraná naquele momento histórico”, argumentou o procurador.

Na ocasião, não havia agenda oficial em Paris. Segundo o Portal da Transparência, o custo foi de R$ 38 mil por pessoa, incluindo passagens, hospedagem e alimentação para todos os dias. Em nota oficial, o governo afirma que a comitiva fez uma parada técnica em Paris, em função da disponibilidade de voos e conexões para Xangai.

O governador já devolveu aos cofres públicos R$ 3,5 mil referentes as diárias.

“Não resta dúvida, portanto, acerca do desvio de finalidade estampado na conduta dos demandados, o que acarretou evidente prejuízo aos cofres públicos, tudo isto em afronta aos princípios da
legalidade, da moralidade, da impessoalidade e da publicidade (artigo 37 da CF/1988), razão pela qual devem ser ressarcidos os valores indevidamente gastos durante a permanência em Paris, a serem apurados em liquidação de sentença”, diz o procurador Mateus Bertoncini .

Outro lado

Por meio de nota, o governador afirmou que a viagem foi realizada devido a custos menores de conexão para retorno do Brasil. No recurso, Richa argumentou que a viagem foi feita a convite do Governador da Província de Anhui (China), maiores facilidades para voos e que os valores referentes já foram devolvidos.

Veja na íntegra:

O ex-governador Beto Richa volta a reafirmar que a ação é descabida. A parada técnica foi comprovadamente justificada em função de conexões e dos custos menores de passagens para deslocamentos até a China e retorno ao Brasil. O ex-governador diz ainda que os valores, superiores à diária inclusive, já foram devolvidos logo após o retorno. Prática essa que sempre ocorreu espontaneamente por parte do ex-governador. Beto Richa afirma ainda crer que a Justiça irá arquivar esse processo.

Previous ArticleNext Article