MP vai recorrer de decisão que soltou Beto Richa

Francielly Azevedo - CBN Curitiba

O Ministério Público do Paraná afirmou que vai recorrer contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que determinou a soltura do ex-governador do Paraná e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), da esposa dele e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, do irmão do tucano, Pepe Richa, e outras 12 pessoas. Os procuradores do Ministério Público estão estudando a melhor forma de construir o pedido e apresentar junto ao próprio Supremo Tribunal Federal. A expectativa, de acordo com MP-PR, é que o recurso seja protocolado ainda nesta segunda-feira (17).

No último sábado (15), o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Cime Organizado (Gaeco), Leonir Batisti, já tinha declarado que o MP iria recorrer, pois a Operação Rádio Patrulha foi realizada do modo mais correto e profissional possível.

“Nós reafirmamos a correção, a isenção e impessoalidade com que agimos no episódio. Principalmente é essencial dizer que não há qualquer vedação legal que se promovam medidas medidas investigativas e que até mesmo se determine a prisão como determinado por juiz competente”, afirmou.

Beto Richa foi preso na terça-feira passada. Além dele, o Gaeco expediu mandados de prisão contra Fernanda Richa, Pepe Richa e outras 12 pessoas. O ex-governador e a esposa estavam detidos temporariamente no Regimento de Polícia Montada.


No início da noite da última sexta-feira (14), o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) acatou um pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e converteu a prisão de Beto em preventiva (sem prazo para soltura). No entanto, pouco depois, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou a soltura do ex-governador, assim como todos os outros 14 investigados.

Fernanda Richa foi a primeira a deixar a prisão, pouco antes da meia-noite de sexta-feira. A ex-primeira dama saiu em um carro e não falou com a imprensa. Cerca de 1h depois, por volta de 0h40, o ex-governador foi liberado. Ele saiu caminhando e, em frente ao Regimento, fez um pronunciamento aos jornalistas, mas recusou-se a responder qualquer pergunta dos repórteres.

“Vou começar dizendo o que disse no meu depoimento hoje. O povo do Paraná conhece a minha vida pessoal, meu trabalho e da minha família, que trabalha por todos os paranaenses. O que fizeram comigo foi uma crueldade enorme. Não merecia, mas estou de cabeça erguida e continuo respondendo as acusações com a maior tranquilidade”, disse.

As prisões foram em decorrência da Operação Rádio Patrulha. A ação investiga o direcionamento de licitação para beneficiar empresários, pagamento de propina a agentes públicos, além de lavagem de dinheiro no programa Patrulha do Campo, do governo estadual. No programa, o governo locava máquinas para manter estradas rurais.

As investigações tiveram início com base na delação do ex-deputado Tony Garcia. De acordo com o Ministério Público do Paraná, os contratos investigados somam R$ 72,2 milhões e seriam superfaturados.

Beto Richa é apontado pelo Ministério Público do Paraná como o chefe da organização criminosa e principal beneficiado com o esquema de recebimento de propinas de fornecedores ao governo do Paraná. Segundo o MP, na condição de governador do Estado, a implementação e o funcionamento da máquina criminosa dependiam do aval dele e das suas ordens aos seus subordinados.

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