Política
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MPF ataca defesa e aponta crime de obstrução da justiça para prisão de Richa

Após cancelar a coletiva de imprensa que trataria sobre a prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB), o Ministério Públic..

Redação - 25 de janeiro de 2019, 16:38

Após cancelar a coletiva de imprensa que trataria sobre a prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB), o Ministério Público Federal emitiu uma nota, na tarde desta sexta-feira (25), considerando como infundadas as alegações da defesa.

Os advogados afirmam que a prisão é ilegal por se basear em fatos antigos que já haviam sido rejeitados como fundamento para prisão, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o MPF, os fatos que levaram a nova prisão do ex-governador são inéditos.

"Um dos fatos que embasa o pedido de prisão consiste numa tentativa de influência em um depoimento de uma testemunha ocorrida em 8 de agosto de 2018, o que caracteriza clara obstrução da investigação, com atualidade", afirma nota do MPF.

A prisão é um desdobramento da Operação Piloto, uma das fases da Operação Lava Jato, que investiga fraudes em concessões de rodovias no Paraná.

Ainda segundo o órgão, Richa cometeu delitos em contratos com as concessionárias. "Em fevereiro de 2018, o ex-governador Beto Richa assinou um aditivo com a Econorte que desonerou a concessionária da realização do contorno norte de Londrina, obra orçada em R$ 120 milhões. A retirada da obrigação do contrato ocorreu, surpreendentemente, sem nenhum ônus para a concessionária.

- Ex-governador Beto Richa é preso

Some-se que as concessionárias seguem executando os contratos e usufruindo os benefícios decorrentes das alterações contratuais ilegais, sendo imprescindível a prisão para fazer cessar os esquemas que têm durado já quase vinte anos.", diz o MPF.

Ainda de acordo com os procuradores, Richa e o outro réu preso hoje - o ex-contador de Fernanda Richa, esposa do ex-governador, Dirceu Pupo -, não apresentaram nenhum esclarecimento sobre a origem de R$ 2,5 milhões em espécie utilizados para compra de imóveis em Curitiba e Balneário Camboriú. Eles ficaram em silêncio durante o depoimento. As investigações apontam que Richa recebeu R$ 2,7 milhões em propina das concessionárias do Paraná.

O MPF também questiona os advogados, afirmando que a prisão de Richa nunca foi considerada ilegal. "O que existiu foi uma decisão de soltura geral assinada pelo ministro  Gilmar Mendes, atendendo a um pedido endereçado diretamente pela defesa, que passou por cima de todos os princípios constitucionais e legais do devido processo legal, que exigem sorteio e livre distribuição dos feitos judiciais, conforme prevê a legislação e a Constituição Federal".