MPF entra com ação por abuso de poder contra Cida e Beto Richa

Roger Pereira


A Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná ingressou, nesta segunda-feira, com ação por abuso de poder e promoção pessoal contra a governador Cida Borghetti (PP), candidata à reeleição, e o ex-governador Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado. A procuradoria elenca 10 eventos em que, segundo a denúncia, a governadora teria se valido do cargo para realizar promoção pessoal e propaganda política antecipada. A denúncia aponta que, depois que Beto Richa renunciou ao governo para se desincompatibilizar para a disputar a eleição deste ano, seguiu participando dos eventos de liberação de recursos para prefeituras. Na ação, a procuradora pede à Justiça a cassação do registro da candidatura ou de seu diploma” de Cida e Richa, e a inelegibilidade dos dois por oito anos.

“Foram carreados aos autos documentos que corroboram com a denúncia apresentada, no sentido de que o investigado Carlos Alberto Richa se beneficiou dos atos de governo para promover campanha eleitoral. Ainda, constatou-se que, juntamente a Maria Aparecida Borghetti, o prefeito de Curitiba, Rafael Valdomiro Greca de Macedo, e Cleonice Schuck, prefeita do município de Fernandes Pinheiro, beneficiaram o candidato”, diz a denúncia, que também pede a condenação de Greca e Schuck à perda dos direitos políticos.

Juntando notícias e fotos dos dez eventos, a denúncia diz que “no dia 18 de maio de 2018, a governadora Maria Aparecida Borghetti excedeu os poderes conferidos pelo seu cargo, atuando em verdadeiro desvio de finalidade, ao se valer dos investimentos repassados pelo governo do Paraná ao município de Castro, para construção de quadras poliesportivas, para promover publicidade pessoal do investigado Carlos Alberto Richa, visando a uma futura candidatura deste ao cargo de senador”.

“Extrai-se dos documentos carreados no procedimento em anexo que a atual Governadora do Estado do Paraná, Maria Aparecida Borghetti, por diversas vezes, se utilizou indevidamente de seu munus público em benefício do ora candidato ao cargo de senador, Carlos Alberto Richa, ao promover constantes participações do investigado em eventos do governo, fazendo crer, em sua maioria, que Carlos Alberto Richa ainda interferiria nos atos de gestão, quando, em verdade, este já havia se desincompatibilizado para as eleições de 2018”, diz a procuradora. “Com tal conduta, além de realizar a promoção pessoal de Carlos Alberto Richa, visando ao cargo de senador ora disputado, a investigada buscou se beneficiar com o prestígio conquistado pelo candidato durante sua gestão, em vista da sua atual reeleição”, afirma a denúncia.

A assessoria da governadora Cida Borghetti afirma que tomou conhecimento pela imprensa do ajuizamento de ação pelo Ministério Público na qual afirma que a participação do ex-governador do Paraná em alguns eventos e solenidades seria irregular. “Não houve da parte da governadora Cida Borghetti qualquer atuação em benefício da candidatura do ex-governador. À época, ambos não eram sequer candidatos. A presença em eventos pontuais e públicos não teve finalidade eleitoral. Os devidos esclarecimentos serão prestados após a notificação, visando demonstrar a improcedência da ação”, afirma em nota.

Beto Richa, também em nota, afirma que “a ação não tem cabimento, pois eram eventos públicos nos quais o ex-governador Beto Richa foi convidado e neles não praticou qualquer ato administrativo”.

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Repórter do Paraná Portal
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