MPF oferece nova denúncia contra ex-senador Gim Argello

Andreza Rossini


O Ministério Público do Paraná (MPF) apresentou nova denúncia contra o ex-senador Jorge Afonso Argello, conhecido como Gim Argello, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira (25).

Segundo o MPF, a denúncia é referente a atuação de Argello para obstruir os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Senado e na Câmara dos Deputados, no ano de 2014.

As CPIs foram criadas para investigar crimes contra a Petrobras e, de acordo com o MPF,  houve acerto de pagamento de propina para evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento.

Gim Argello já foi denunciado e condenado pelo pagamento de propina envolvendo as empreiteiras UTC Engenharia, OAS, Toyo Setal, Camargo Corrêa e Engevix. Nesta ação, o político foi condenado a 19 anos de prisão na primeira instância; e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região reduziu a pena para 11 anos e 8 meses.

Atualmente ele cumpre pena no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Desta vez, a denúncia apresentada pelo MPF refere-se à propina paga pela empresa Galvão Engenharia.

O órgão aponta que entre junho e dezembro de 2014, Gim Argello solicitou e aceitou promessa de pagamento vantagem indevida no valor de R$ 5 milhões da empresa Galvão Engenharia, recebendo parte do valor de R$ 1,6 milhão por intermédio do Partido Social Liberal (PSL), do Trabalhista do Brasil (PT do B) e Partido do Partido Ecológico Nacional (PEN).

Este valor foi travestido de doação eleitoral oficial, na tentativa de lavar o dinheiro.

A propina foi paga em julho de 2014, sendo depositado R$ 150 mil para o PSL, R$ 150 mil para o PT do B e R$ 500 mil para o PEN.

Em agosto foram pagos o montante de R$ 550 mil para o PEN e R$ 250 mil para o PT do B, completando o valor integral de vantagem indevida. Tais partidos registraram formalmente apoio a Gim Argello na eleição para o Senado Federal em 2014.

Dario Galvão, então presidente da Galvão Engenharia, realizou o pagamento de propina para que o ex-senador, em função do exercício de membro das CPIs, influenciasse  nas comissões e evitasse a convocação do empresário para prestar esclarecimentos.

Gim Argello na condição de líder do Bloco Parlamentar União e Força no Senado Federal, indicou e substituiu membros do seu bloco partidário nas comissões, incumbência que foi feita de forma ativa pelo parlamentar, além de influenciar para evitar a convocação de Dario Galvão e de outros executivos da Galvão Engenharia para deporem nas comissões de inquérito. Tanto na CPI do Senado quanto na CPI Mista não foram apreciados os requerimentos para que os empresários envolvidos no escândalo da Operação Lava Jato prestassem depoimentos.

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