MPF recebeu apenas cópia de áudio envolvendo Richa e Roldo

Redação


O Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) repercutiu as reportagens divulgadas nesta sexta-feira (11) sobre as gravações que envolvem o ex-governador do Paraná, Beto Richa, em negociações com a Odebrecht.

De acordo com a nota, o MPF teve acesso apenas a uma cópia do material e, por conta disso, até o momento, não foi possível fazer perícia nas gravações.

“Da mesma forma que os veículos de imprensa tiveram acesso ao material, o MPF/PR recebeu uma cópia do áudio. Foi solicitada a entrega do original para que fosse realizada uma perícia, o que não ocorreu até o momento”, diz o texto.

Os procuradores negam que o áudio tenha vazado do processo.

“Este esclarecimento se faz necessário para evitar qualquer interpretação precipitada e equivocada de que o MPF tenha divulgado ou repassado de alguma forma o áudio para a imprensa”, conclui a nota.

Duplicação da PR-323

Áudios obtidos com exclusividade pela revista ISTOÉ e publicados nesta quinta-feira (10) revelam, entre outros conteúdos, uma conversa entre o então chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo, e Pedro Rache, diretor-executivo da Contern.

No diálogo, Roldo tenta convencer o empresário a desistir da licitação para a duplicação da PR-323, porque ela já estaria prometida para a Odebrecht. O encontro entre eles teria acontecido em 2014, no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. Os áudios estão em poder do Ministério Público Federal (MPF), segundo a ISTOÉ. “A gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar para que esse compromisso não seja desrespeitado”, disse Roldo.

Para que o Grupo Bertin desistisse da licitação, Roldo ofereceu ajuda em outro negócio: a viabilização de uma parceria para projetos no Complexo de Aratu, no litoral da Bahia, onde o grupo tem seis usinas termoelétricas. Ele intermediaria a negociação com a Copel para fechar uma parceria com valor próximo de R$ 500 milhões.

Após as negociações,  o Grupo Bertin desistiu da obra. A Odebrecht concorreu sozinha e venceu a licitação em 2014. Em troca do contrato, com duração de 30 anos, a Odebrecht acertou o repasse R$ 4 milhões, via caixa 2, para a campanha de reeleição de Beto Richa em 2014.

A obra não saiu do papel. Mas, segundo delação de Benedcito Barbosa, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, os R$ 2,5 milhões seriam lançados futuramente como despesa no projeto de duplicação da PR-323.

Deonilson Roldo e Beto Richa negam irregularidades e rechaçaram qualquer acordo ou direcionamento para a Odebrecht. Roldo afirmou que o áudio foi editado. A Contern informou, em nota, que “em nenhum momento recebeu sinais de que o referido processo licitatório estaria direcionado para uma ou outra determinada construtora”.

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