Política
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E-mail racista enviado ao vereador Renato Freitas foi forjado, aponta Câmara

Houve "claro objetivo de forjar o remetente da mensagem, simulando as credenciais do vereador Sidnei Toaldo", aponta o relatório da Câmara.

Rafael Nascimento - 20 de maio de 2022, 11:05

Foto: Rodrigo Fonseca/ CMC
Foto: Rodrigo Fonseca/ CMC

Um relatório preliminar da investigação sobre o e-mail de cunho racista e com ameaças recebido pelo vereador Renato Freitas (PT) aponta que o material foi forjado e enviado de um servidor anônimo hospedado fora do país. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (20) pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC).

Os resultados iniciais da sindicância aberta para apurar o caso foram compartilhados com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), após a juíza Patrícia Bergonsi, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, conceder uma liminar que suspendeu a sessão do plenário que poderia cassar o mandato do parlamentar petista, ontem (19).

Com a medida, o Legislativo pede à Justiça a reconsideração da liminar. Ao deferir parcialmente o pedido de tutela na ação anulatória movida pela defesa de Renato Freitas, a juíza suspendeu a sessão de julgamento até a conclusão da sindicância sobre o e-mail racista.

E-MAIL RACISTA FOI FORJADO, APONTA RELATÓRIO

De acordo com o relatório preliminar que investiga o caso, foi utilizado um serviço de envio de e-mails anônimos, hospedado na República Tcheca, no Leste Europeu. O relatório aponta ainda que o serviço não guarda registros e informações como data e hora, e que houve "claro objetivo de forjar o remetente da mensagem, simulando as credenciais do vereador Sidnei Toaldo (Patriota)".

“Verificou-se que para o seu envio [do e-mail com ofensas racistas] foi utilizado um serviço de envio de e-mails anônimo, hospedado na República Tcheca, que não armazena logs, ou seja, não guarda registros para auditoria/mapeamento de informações tais como data, hora, IP etc. Percebe-se então que houve claro objetivo de forjar o remetente da mensagem, simulando as credenciais de envio como sendo as do vereador Sidnei Toaldo”, cita a análise da Diretoria de Tecnologia de Informação e Comunicações (DTIC) da CMC.

A análise da origem do e-mail racista só foi possível graças à cooperação dos vereadores envolvidos no caso, Renato Freitas e Sidnei Toaldo. Segundo a Câmara, ambos permitiram o acesso de sua comunicação eletrônica pessoal à corregedora Amália Tortato (Novo).

“A sindicância apenas não foi concluída pois, como informado pela área técnica, há diligências efetuadas junto a empresa fornecedora Serpro pendentes de retorno, mas que em nada mudam o fato de que o e-mail foi forjado e não partiu da conta institucional do vereador Sidnei Toaldo”, completa a Casa.

Com base nas informações repassadas, a CMC aguarda que a uma das Câmaras Cíveis do TJPR ou a própria magistrada que concedeu a liminar analisem o pedido do Legislativo. Em havendo a revisão da tutela concedida, a Câmara Municipal de Curitiba informou que vai retomar a votação em plenário da cassação de mandato de Renato Freitas.

 

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