“Facistas e nazistas, não são democratas”, diz Lula ao encerrar caravana em Curitiba

Jordana Martinez e Roger Pereira



Atualizado às 21hs 33

O ex-presidente Lula (PT) encerrou em Curitiba a caravana pela Região Sul do país. Ele aproveitou o palanque para criticar a violência sofrida no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Na noite desta terça-feira (27), no trajeto entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Sudoeste do estado, um ônibus da caravana teria sido atingido por três tiros e outro teve os pneus furados por pregos retorcidos espalhados na rodovia. Para Lula, o ato foi uma agressão à democracia:

“Em cada cidade que a gente ia eles ficavam soltando rojão e eu dizia para não gastar rojão, para deixar para o dia primeiro de janeiro, na minha posse. Falei, não jogue o ovo foro, dê para a sua empregada doméstica, para o cara que trabalha… Bateram em quatro meninas nossas, e uma ficou internada com hemorragia… Chegou em Chapecó é que a coisa pegou. Eles não queriam que a gente entrasse na cidade… cercaram o hotel, queriam invadir o hotel e não queria que a gente chegasse na praça… E a gente achou que quando a gente chegasse no Paraná, teria tranquilidade, mas um cidadão começou a jogar pedra, e tinha umas cem mulheres com crianças de colo… Estão mais para facistas e nazistas para qualquer coisa, não são democratas”, criticou.

Sobre sua condenação na operação, Lula disse que torce para que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o mérito da ação que o condenou em segunda instância a 12 anos de prisão. “”Eu não tenho nada contra a Lava Jato. Eu tenho contra a mentira. Estou sendo vítima da imprensa, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Moro (juiz Sérgio Moro), que me condenou a partir de uma denúncia mentirosa. Eu não quero morrer sem ver o William Bonner começar o Jornal Nacional pedindo desculpas a mim e a minha família.”, disse. “Eles sabem que o apartamento não é meu, sabem que não tem escritura, que não tem recibo, que nunca fui lá. Tentaram inventar uma relação com a Petrobras, e me colocaram na Lava Jato”.

Lula atribuiu à dificuldade de enfrentá-lo nas urnas os ataques e perseguição que diz estar sofrendo. “A única explicação que posso ter para isso está nas pequisas eleitorais. Os tucanos não têm candidato, o PMDB não tem candidato, quem está na disputa é uma extrema direita, representada por um cidadão que me recuso a dizer o nome dele. Eles estão tentando encontrar um candidato já convidaram até o homem do Caldeirão (Luciano Huck)”, disse. “E eles sabe que, assim que tomarmos posse como presidente da República, nós vamos convocar um referendo revogatória para desfazer esse desmonte que eles fizeram”, disse, referindo-se às reformas e às privatizações.

O início do evento estava previsto para 17hs, mas às 20hs o ex-presidente ainda não havia chegado ao local. Enquanto Lula não chegava, militantes e simpatizantes acompanham o pronunciamento de aliados de Lula no palanque.

A ex-presidente Dilma Roussef (PT) também criticou os atos de violência contra a caravana.

“Ao longo dessa caravana nós enfrentamos uma das mais graves manifestações de facismo desse país… a construção do meu processo do impeachment era de ódio. Aquele ódio que constrói a única coisa que o ódio semeia, que é a violência facista, que é covarde, que atingiu quatro mulheres nessa caravana. Eles usaram da força contra mulheres indefesas, uma delas se tratando de câncer, foi derrubada, jogada no chão, tiraram a bandeira que ela tinha na mão e foi internada no hospital”, desabafou.

Dilma também criticou a onda de “fake news” nas redes sociais:

“Temos que falar sobre as fake news… colocaram na boca do presidente Lula a fala do senador Roméro Jucá sobre ‘estangar a sangria’. Isso é uma distorção dos fatos”, criticou.

O presidente do PT do Paraná, Florisvaldo Fier, o Dr Rosinha (PT), criticou o juíz da Lava Jato, Sergio Moro pela condenação de Lula no caso Triplex.

Já o senador Roberto Requião (PMDB) questionou as acusações contra Lula: “São absurdas… Como podem imaginar que esse presidente dessa potência atuou em corrupção por um apartamento em uma praia pouco badalada de São Paulo?”, disse.

O PT transformou o encerramento da caravana de Lula em um ato suprapartidário da esquerda e centro-esquerda, no palanque de Lula, outros dois pré-candidatos a presidência da República se fizeram presentes e discursaram: Manoela D’Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL). Além deles, senadores e deputados federais de legendas como o PSB também participaram do ato.

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Princípio de confusão

Menos de um quilômetro separava as concentrações de manifestantes pró e contra o ex-presidente. Por volta das 18h30, movimentos sociais contrários a Lula tentaram furar o bloqueio policial para se aproximar da concentração de militantes do PT. A cavalaria da Polícia Militar e o Choque cercaram o local e impediram a entrada dos manifestantes.

O ex-presidente chegou à capital depois de enfrentar vários protestos nos três estados durante a viagem. Nesta terça-feira (27), um dos ônibus da caravana teria sido atingido por tiros, segundo os organizadores.

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A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp) não informou o número de policiais que vão trabalhar no esquema de segurança para a visita do ex-presidente, porém garante que o policiamento será reforçado em todos os pontos em que houver atos públicos.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.