“Não existe frente de esquerda porque PT, PSOL, PCdoB e PCO não são de esquerda”, diz Ivan Bernardo, do PSTU

Roger Pereira e Pedro Ribeiro


Em sua participação na série de entrevistas do Paraná Portal com os candidatos ao governo do Paraná, Ivan Bernardo (PSTU) diz que as “eleições burguesas” são uma fraude, um jogo de cartas marcadas, mas que o partido participa do processo para aproveitar o momento em que a população está discutindo política para apresentar sua proposta de rebelião social, “para organizar os de baixo e derrubar os de cima”.

Bernardo disse que o partido disputa as eleições com chapa pura porque não vê nas outras siglas, mesmo as de esquerda, nenhum aliado no pensamento revolucionário. “Não existe frente de esquerda porque o PT não é esquerda, o PSOL não é esquerda, o PCO é um puxadinho do PT. Eles acreditam na política parlamentar, não na classe trabalhadora. Eles querem o socialismo para daqui a 50 anos. Eles chegaram ao poder e fizeram aliança com a burguesia, ocuparam os cargos juntos com os burgueses. Eles não são socialistas”.

Ivan Bernardo diz que a proposta apresentada pelo PSTU é o do verdadeiro socialismo, que nunca foi aplicado no mundo, nem na União Soviética, nem na Coréia, muito menos na Venezuela ou na Nicarágua. “O socialismo que a gente prega é o da democracia operária, em que 100% dos recursos serão definidos pela população, com assembleias mensais, em que será possível revogar inclusive os mandatos, porque o povo tendo esse poder vai realmente aplicar a justiça social e garantir seus direitos históricos.

O candidato nega que esteja havendo uma onda conservadora no país e afirma que o crescimento de candidaturas como a de Jair Bolsonaro (PSL) se deve à confusão que a população está fazendo, num momento em que se sente traída pelo PT e busca um voto de castigo. “Como o PT traiu a classe trabalhadora, a população está confusa e optou por um voto de castigo, mas não é um voto de direita. Quando se reivindica direitos e melhores salários, se está sendo progressista. As grandes greves, os rolezinhos nos shoppings, a ocupação das escolas, os movimentos das mulheres, são exemplos de que a classe trabalhadora está mobilizada”.

O candidato diz concordar com a prisão do ex-presidente Lula, que, para ele, é um corrupto, e uma vergonha para a esquerda, mas quer que a Lava Jato chegue a todos os outros políticos que “roubaram a nação”. Ele afirma que “não teve golpe”.

Entre suas propostas, ele destaca: suspender o pagamento da dívida aos banqueiros, estatizar as grandes empresas do agronegócio, fazer um reforma agrária radical, reduzir a jornada de trabalho e estatizar a educação paga. “Só através da mobilização popular que a gente vai acabar com essa exploração do homem pelo homem”.

Confira a íntegra da entrevista:

 

Veja as outras entrevistas da série:

 

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal