‘Não surpreende que estão prendendo pessoas que dizem ‘Fora Temer’’, diz Dilma em Curitiba

Roger Pereira


A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) afirmou, na noite desta segunda-feira (8), em Curitiba, que a repressão das manifestações contra o presidente interino Michel Temer (PMDB) durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro faz parte da estratégia dos articuladores de seu impeachment para dar “sustentação ao golpe”.  Dilma participou do Circo da Democracia na capital, semana cultural de debates organizada por mais 150 entidades ligadas aos movimentos sociais.

“A característica inicial do golpe é se tentar impedir que se diga que é um golpe, como na ditadura não podíamos dizer que vivemos na ditadura. Esse golpe tem essa característica, tentar impedir que as pessoas, em público, o identifiquem. Nós podemos falar aqui, mas é proibido falar em certos lugares, como no Maracanã. É proibido porque, sempre que se tenta processos ilegais que rasguem a constituição, a providência é impedir que se identifique o que está acontecendo. Não surpreende que nos últimos dias estão prendendo pessoas que dizem ‘fora Temer’”, afirmou – não comentando o fato de ela mesma ter sancionado a Lei das Olimpíadas, na qual a Força Nacional de Segurança tem se baseado para repreender as manifestações.

Dilma disse, ainda, que o país está sendo dilacerado por um golpe que tem como principal objetivo impor ao país medidas que não passariam pela aprovação popular.

“Este golpe tem um sentido claro. Trata-se de aplicar no país um programa que nunca seria possível de ser aplicado se tivesse passado pelas urnas e pela vontade popular”, disse.

“Quem de nós apoiaria o fim de modelo de partilha do pré-sal? Quem aprovaria uma PEC congelando gastos na saúde e educação? Quem aprovaria uma mudança na CLT, aumentando a jornada de trabalho, criando a terceirização selvagem? Quem acredita que o SUS não cabe no orçamento da União e aceita um plano de saúde que dá acesso a quase nada”, afirmou.

“Simultaneamente, tratam de impedir que se estanque a sangria, de se impedir que a investigação chegue a eles”, completou citando as gravações que envolveram o ex-ministro Romero Jucá, que sugeriu que o impeachment ajudaria a barrar a Lava Jato.

Dilma disse também que seu impeachment trata-se de um golpe parlamentar seguido de eleições indiretas, para substituir a vontade majoritária de um país integrado por mulheres, negros, jovens e trabalhadores, “por um representante ilegítimo dos homens brancos, velhos e ricos, cheios de problemas na Justiça”.

A presidente afastada disse que seguirá lutando contra o impeachment, para “defender a democracia e evitar uma injustiça”, e voltou a afirmar que, se vencer a votação no Senado, convocará consulta popular para discutir uma nova eleição direta e a Reforma Política. “Porque o país tem um fragmentação partidária assustadora, com cerca de 25 partidos no Congresso Nacional. E isso é a mãe e o pai do fisiologismo, da política nefasta”, declarou.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal