Política
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Não tem menor procedência, diz Alckmin sobre afastamento de Temer

Correndo por fora da estratégia dos outros dois presidenciáveis tucanos, Aécio Neves e José Serra, de manter consonância..

Narley Resende - 19 de dezembro de 2016, 12:56

Correndo por fora da estratégia dos outros dois presidenciáveis tucanos, Aécio Neves e José Serra, de manter consonância com o discurso do presidente Michel Temer, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin nega um distanciamento de Temer para se desvincular de medidas desgastantes e concorrer livre à Presidência da República em 2018. O afastamento teria como objetivo viabilizar a candidatura em detrimento de Serra e Aécio.

"Não tem a menor procedência", disse hoje (19) Alckmin sobre o afastamento de Temer. O tucano fez críticas na semana passada à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 que congela gastos públicos pela inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos. A medida é amplamente defendida pelos demais tucanos.

Para Alckmin, a "conta não fecha" no congelamento de gastos para Saúde. "Se nós vamos ter por 20 anos nada a aumentar acima da inflação, já começa que a saúde é dolarizada e aumenta acima da inflação. Ela tem custos dolarizados. A demanda cresce, a medicina fica mais sofisticada, a população, mais idosa.", afirmou ao Estadão.

Em cerimônia de condecoração da Ordem do Pinheiro, em Curitiba, nesta segunda-feira (19), único dos três presidenciáveis tucanos homenageado no evento promovido pelo governo do Paraná, Alckmin disse que negou que a cerimônia seja uma oportunidade de "pavimentar a candidatura dele" entre os eleitores do Estado. "Isso estão muito longe, tudo tem seu tempo", esquiva.

O governador Beto Richa (PSDB) também mediu palavras para falar sobre a pré-candidatura tucana. "O PSDB tem grandes nomes. Mas, enfim, está aqui um deles hoje". "Lógico que o governador Geraldo Alckmin tem plenas condições de novamente ser o candidato do PSDB à presidência da República", avalia o tucano paranaense.

Richa ressaltou as conquistas de Alckmin no campo eleitoral, lembrando da eleição de João Dória (PSDB) à prefeitura de São Paulo.

"É inquestionável o bom desempenho que o nosso partido sob sua liderança teve no Estado de São Paulo. Começando pela eleição na capital, do João Dória. Óbvio que foi uma boa escolha do partido, do Geraldo. A eleição dele no primeiro turno quando poucos acreditavam demonstra a força e o reconhecimento eleitoral e o reconhecimento da administração de Geraldo Alckmin em São Paulo. Acho que é cedo para discutir ainda a sucessão para 2018.", conclui.

Alckmin se aproxima de Richa

Enquanto o discurso diverge das demais lideranças tucanas, Alckmin demonstrou aproximação com a liderança paranaense. Apesar de baixos índices de popularidade no Paraná, após medidas de ajuste fiscal e, em especial, o confronto que deixou 220 professores feridos em 2015, o governador do Paraná Beto Richa aposta na estabilidade do Estado para recuperar a popularidade.

"Graças a Deus, fechamos 2016 mas muito melhor, incomparável ao ano anterior. Porque foi um ano de adoção, de implantação de medidas impopulares e implantação do ajuste fiscal. E eu dizia a época, o Paraná é o primeiro Estado a fazer o ajuste, seremos o primeiro a sair da crise. Não aconteceu diferente da minha previsão. E disse mais: no momento de muito ataque, de muita incompreensão, foi um momento de muito sofrimento, mas eu lembrei a todos. 'Vocês vão entender melhor o que eu fiz'."

Alckmin falou sobre a parceria tucana nos dois Estados. "(Uma avaliação partidária) muito positiva, o que mostra que quanto mais rápido a gente fizer as reformas, melhor", disse enaltecendo medidas adotadas no Paraná.

"Temos trabalhado muito, juntos, com o Beto Richa. Inclusive, estamos trabalhando para termos um trabalho no Turismo, na Bacia do Rio Paranapanema, um grande complexo turístico, na região de Xavantes, uma usina hidroelétrica, fazendo um grande reforço para gerar emprego e renda nesse complexo turístico que envolve a Bacia do Rio Paranapanema e fortalece o turismo em ambos os Estados. Sou um admirador do cooperativismo. As cooperativas de ponta no Brasil estão no Paraná. Acho que essa é a nossa tarefa, de São Paulo e o Paraná fazerem a diferença para ajudar o Brasil nesse momento", anunciou Alckmin.

Mandato de Aécio no PSDB

Conhecido pelo perfil discreto, Alckmin evita criticar abertamente o acordo entre Aécio e Serra que estendeu por mais um ano o mandato de Aécio à frente do PSDB. Aos aliados, porém, disse que seria melhor adiar essa decisão para 2017 e o ideal seria eleger o novo presidente do partido no máximo em janeiro de 2018, e não em maio, como ficou decidido.

Entre os correligionários mais próximos, a avaliação é de que o movimento visou bloquear o plano B do governador, que seria disputar à Presidência da República pelo PSB caso o PSDB lhe fechasse as portas.

Pelo calendário original, o segundo mandato de Aécio terminaria em maio de 2017 e ele não poderia se reeleger. Essa seria a oportunidade de Alckmin, fortalecido pelo resultado das eleições municipais, ampliar a influência na máquina partidária.

"Se (a Executiva) fosse em janeiro (de 2018), o novo presidente do PSDB teria mais tempo de articular a campanha presidencial. É mais difícil fazer a sucessão partidária em maio de 2018, às vésperas da eleição", disse o deputado Silvio Torres (SP), secretário-geral do partido, na reunião do Diretório que definiu, na quinta-feira, a prorrogação do mandato de Aécio.

Aliado de Alckmin, apenas ele e o deputado Eduardo Cury, também afinado com o Palácio dos Bandeirantes, votaram contra em um colégio eleitoral formado por 31 tucanos.

"A prorrogação não foi uma coisa boa. Esse era o momento de democratizar essa decisão", disse o deputado Vanderlei Macris (SP), que é ligado ao governador paulista.

Alckmin também diverge de Aécio no formato do processo de escolha do candidato tucano em 2018. Ele quer a realização de prévias entre todos os filiados, enquanto o mineiro prefere um modelo mais restrito. Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.