“Ninguém está acima da lei”, diz Moro durante discurso nos EUA

Lucian Pichetti - CBN Curitiba

Assim como já fizeram George W. Bush e Barack Obama, o juiz federal brasileiro Sergio Moro foi o principal orador da cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. E foi recebido de pé pelos presentes. No discurso deste domingo (20), o magistrado lembrou as semelhanças entre os dois países.

“O Brasil tem muitos pontos em comum com os Estados Unidos, afinal somos americanos no novo mundo, com tudo que isso representa. Nós tivemos a nossa independência em 1822, você tiveram a sua em 1776. Ambos os países sofreram com a escravidão no século IXX, ambos os países receberam imigrantes de todos os cantos do mundo”, disse.

Moro admitiu em seu discurso que o Brasil falhou como nação. “Parece que nós no Brasil, como população, falhamos em prevenir o mau uso e abuso do poder público para ganho privado, então a corrupção cresceu e se tornou disseminada, endêmica e até sistêmica”, afirmou.

O juiz frisou ainda que ninguém está acima da lei. “Nunca se esqueçam da pedra angular das nações democráticas, que é o estado de direito. Isso significa que todos tem igual proteção da lei. Isso significa que é preciso proteger os mais vulneráveis, mas também significa que ninguém está acima da lei”, ressaltou.


Ele complementou que “Essa é uma lição não só para o Brasil, mas até para democracias maduras”.

Com relação ao trabalho na Operação Lava Jato, Moro disse que “não tem sido fácil”. Ele citou o número de condenados por lavagem de dinheiro e corrupção – 157, no total –, e lembrou, sem citar nomes, que entre eles há empresários das maiores construtoras brasileiras, além de políticos de alto escalão como um ex-governador, um ex-ministro da Fazenda, um ex-presidente da Câmara e até mesmo um ex-presidente.

Ontem Sérgio Moro recebeu da universidade o título de doutor honoris causa, como um “líder no movimento anticorrupção de seu país”. Em outubro de 2017, o juiz já havia recebido o Notre Dame Awards, uma honraria concedida pela universidade a pessoas que são “pilares de consciência e integridade, cujas ações beneficiaram seus compatriotas”, segundo a instituição.

 

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