Obras de arte de Lobão valorizaram 1788% para lavagem de dinheiro

Francielly Azevedo

A 65ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (10), investiga o esquema de lavagem de dinheiro por meio da compra e venda de obras de arte praticadas pelo filho do ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, Márcio Lobão. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), algumas obras tiveram valorização de 1788% para venda.

Márcio foi preso preventivamente, nesta terça-feira (10), na 65ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Galeria. As investigações apontam que, entre 2008 e 2014, o ex-ministro e o filho receberam propinas dos Grupos Estre e Odebrecht no valor de R$ 50 milhões. O esquema de corrupção seria ligado a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidroelétrica de Belo Monte.

Conforme o MPF, Márcio Lobão comprou uma obra de arte em junho de 2009 por R$ 45 mil e vendeu a mesma por R$ 850 mil. Uma sobrevalorização de 1788%. “O artista não faleceu, não havia um motivo aparente para essa valorização da obra de arte”, disse o procurador da República, Roberson Pozzobon.

Outra obra teria sido adquirida em 2003 por R$ 120 mil e vendida mais tarde por R$ 500 mil. “Há outros indícios que isso pode ter acontecido com outras obras de arte. O senhor Márcio Lobão declarou no IR ter adquirido uma obra de Irã no Espírito Santo em 2009, por R$ 21 mil e declarou ter vendido por R$ 85 mil em 2018, 297% de valorização. E também declarou ter adquirido uma obra de Ivan Serpa em dezembro de 2010 por R$ 45 mil e ter vendido em dezembro de 2015 por R$ 850 mil os mesmo 1788,89% de valorização. Aqui temos indicativos robustos de que podemos estar investigando lavagem de dinheiro por meio das obras de arte”, conclui Pozzobon.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal do Paraná, delegado Luciano Flores, as formas utilizadas para lavagem de dinheiro impressionam. “Essa fase é uma aula de lavagem de dinheiro para aqueles que querem entender as diversas formas que o crime organizado se utiliza para lavar o dinheiro, lavar os ativos, transformar os recursos de origem ilícita , em recursos de origem lícita”, destacou.

MAIS DE 100 OBRAS

Foram alvos de mandados de busca e apreensão endereços ligados à galerias de arte. Conforme as investigações, foram encontradas mais de 100 obras, mas, nem todas podem ter origem ilícita. As obras que são identificadas e com ordem judicial foram apreendidas. As outras foram relacionadas e fotografadas. A Polícia Federal ainda faz o levantamento da quantia exata.

“Obras de arte são bem únicos, seu valor intrínseco é o valor da arte. Muitas vezes esse valor não é economicamente auferível. O valor só é auferível quando ela é vendida. O que torna muito difícil de você precificar quanto aquela obra vale. A não ser em casos de valorização de 1788%, que fogem do senso comum”, conclui Pozzobon.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.