“Obras simples, que foram superdimencionadas”, afirma Fernando Bittar sobre o Sítio de Atibaia

Francielly Azevedo e Roger Pereira

O empresário Fernando Bittar, proprietário legal do Sítio de Atibaia, disse em depoimento nesta segunda-feira (12), para juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro nas ações da Operação Lava Jato, que no entendimento dele o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava pagando as obras do sítio – e não as empreiteiras.

“Eu imaginei que eles estavam pagando, na minha cabeça não tinha nada de ilícito, porque o presidente Lula saiu com uma popularidade grande, as pessoas queriam agradar ele […] Eu não queria obra, eles que precisavam, então, eles que pagaram as obras. Obras simples, que foram superdimencionadas. Nada que salte aos olhos”, afirmou.

Na ação penal, Lula e outras 12 pessoas (incluindo Bittar) são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção por terem recebido obras de melhorias na propriedade rural, feitas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht em troca de vantagens indevidas em contratos. De acordo com o Ministério Público Federal, o local pertencia ao ex-presidente Lula e Bittar seria um “laranja” na documentação. Conforme o empresário, a propriedade foi comprada com recursos próprios e cedida, a partir de 2011, para que Lula guardasse o acervo presidencial.

Bittar falou sobre a relação de carinho que tem com a família Silva. Amigo desde a infância, o empresário de refere a Marisa Letícia, esposa falecida de Lula, como “tia” e disse que a ex-primeira-dama foi autorizada a fazer as mudanças.


“Meu pai me comunicou que ia ter obras, que a Marisa era a responsável pelas obras e que o Bumlai (pecuarista José Carlos Bumlai) que iria tocar […] Na minha cabeça a obra sempre foi de responsabilidade do Bumlai e eu tinha total confiança nele. Não sabia que era Odebrecht”, disse.

O empresário reforçou a relação de convívio com a família Silva, contando que datas comemorativas como Natal e Ano Novo eram celebradas em união no sítio. Além disso, quando começou a negociar a venda da propriedade, deu “carta branca” para Marisa. “Dei carta branca para ela, pra ela fazer a cozinha. Nesse período eu já estava querendo vender o sítio e meu pai sempre barrando, falando que não […] Ela falou ‘não se preocupe deixa que eu resolvo isso’. E foi ela que pagou a obra. Eu ia justificar, mas na minha cabeça já estava no processo de venda para eles”, explicou.

Ainda segundo Bittar, após Lula ser diagnosticado com câncer em 2012, a permanência do ex-presidente no sítio aumentou. “Ele frequentava muito, inclusive com autorização do meu pai. Ele fez o tratamento lá, porque se ele ficasse em São Bernardo teria gente que iria querer visitar, não poderia falar ‘não’. Lá (no sítio) o clima também é agradável, mais tranquilo, então ele fez todo tratamento lá”, destacou.

Bittar revelou que, por diversas vezes, passou as noites com Lula na propriedade durante o tratamento. “Eu ficava com ele, dormia perto dele, porque ele sofria, chorava, tinha frio e tinha fome. Não tinha gente para fazer”, contou.

Também prestou depoimento nesta segunda-feira o ex-funcionário do Planalto, Rogério Pimentel, que era responsável pelo acervo presidencial. Ele reforçou que Bittar cedeu o sítio para Lula guardar o acervo. “Eles não tinham onde guardar o material, chegou a informação que Fernando Bittar ia comprar um sítio, e cedeu espaço para colocar lá”, disse.

O terceiro a falar nesta segunda foi o advogado Roberto Teixeira, supervisor das negociações de compra e venda do sítio de Atibaia.

Na próxima quarta-feira (14), o ex-presidente Lula presta depoimento à juíza Gabriela Hardt.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Repórter do Paraná Portal e Rádio CBN. Tem passagens pela TV éParaná, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina.
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