Moro aceita denúncia contra ex-diretor do DER-PR

Mariana Ohde

Nelson Leal Junior foi um dos alvos da 48ª fase da Operação Lava Jato, que investiga concessões de rodovias no Paraná.

O juiz federal Sérgio Moro acolheu parcialmente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR), Nelson Leal Junior, e outras 16 pessoas, alvos da Operação Integração, 48ª fase da Operação Lava Jato.

A ação foi deflagrada em 22 de fevereiro para apurar desvios de recursos em concessões de rodovias no Paraná. Nelson Leal Júnior foi preso neste dia e segue detido. Após ser afastado do cargo, foi substituído por Paulo Montes Luz.

A suspeita é a de que o grupo Triunfo, controlador da concessionária Econorte, pagou propina para conseguir privilégios em contratos com o governo estadual, incluindo cinco aditivos que elevaram as tarifas de pedágios nas três praças administradas pela empresa, no norte do Paraná.

O grupo Triunfo, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), usou operadores para lavar R$ 91 milhões, e parte deste dinheiro teria sido usado para pagar propina a agentes públicos. Um dos beneficiados seria Nelson Leal Júnior.

Entre os investigados, além do ex-diretor, há funcionários da Econorte, do grupo Triunfo, operadores financeiros e servidores púbicos. Todos foram acusados de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, estelionato e peculato.

Das 18 pessoas acusadas pelo MPF, apenas uma teve denúncia rejeitada “por falta de justa causa”, segundo o despacho de Moro – o empresário Wellington de Melo Volpato, sócio da Eco Sul Brasil Construtora. Entre os cinco acusados detidos, Volpato foi o único que teve a prisão preventiva revogada. Ele precisará, no entanto, cumprir medidas cautelares, como não deixar o país, não mudar de endereço sem autorização da Justiça e não se comunicar com outros investigados.

Moro manteve a prisão preventiva de dois réus: Nelson Leal Júnior e Helio Ogama, diretor-presidente da Triunfo Econorte. No caso de Nelson Leal Junior, segundo Moro, a prisão é necessária pelo tempo de permanência dele no DER-PR. “Tendo exercido a direção desde janeiro de 2013, é certo que mantém vínculos com servidores da ativa e que solto pode perturbar a investigação”, diz o despacho.

Outros dois tiveram a prisões substituídas por medidas cautelares e fianças fixadas: Leonardo Guerra, administrador da empresa Rio Tibagi, e Oscar Alberto da Silva Gayer, ex-funcionário do DER-PR.

Um dos fatos que embasou a aceitação da denúncia contra Nelson Leal Junior foi a aquisição de um imóvel em Balneário Camboriú (SC). Segundo Moro, “a aquisição, sem declaração, de imóvel de valor milionário, os pagamentos em espécie sem origem, os depósitos em espécie efetuados em suas contas, a apresentação de explicação aparentemente inconsistente para a origem dos valores”, aliados ao fato de que se trata de agente público, “autoriza o prosseguimento pelos crimes de lavagem de dinheiro”.

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Repórter no Paraná Portal
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