33ª fase da Lava Jato mira a construtora Queiroz Galvão

Mariana Ohde


A Polícia Federal (PF) deflagrou mais uma fase da Operação Lava Jato nesta terça-feira (2), a 33ª. Batizada de Resta Um, a operação envolve 32 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. O alvo é a construtora Queiroz Galvão. Dois mandados são de prisão temporária, um de prisão preventiva e seis de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor.

O ex-presidente da construtora Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho foram presos preventivamente no Rio de Janeiro. O um mandado de prisão temporária é para Marcos Pereira Reis, ligado ao consórcio Quip. Ele está no exterior, segundo a PF.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Queiroz Galvão participava de um cartel, juntamente com outras construtoras, que fraudava licitações da Petrobras, garantindo o lucro das empreiteiras e causado prejuízo à estatal. Segundo investigações, os executivos da Queiroz Galvão pagaram propinas a funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento. Segundo o MPF, há provas documentais e depoimentos de colaboradores que comprovam o esquema.

Para a delegada Renata da Silva Rodrigues, integrante da força-tarefa, os valores movimentados são “bastante impressionantes”. A delegada afirma que houve propina disfarçada em doações eleitorais, contratos simulados com Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, entre outros.

Segundo a delegada, os valores somam mais de R$ 10 milhões – R$ 7,5 milhões em doações oficiais para campanhas, R$ 250 mil em um contrato simulado com o consórcio Ipojuca, R$ 1,2 milhão em contrato com a KFC Hidrossemeadura, contrato com a Costa Global, simulado por Paulo Roberto Costa, no valor de R$ 500 mil e com a Quip, de US$ 900 mil. Haveria ainda uma dívida da construtora com Pedro Barusco, no valor de R$ 24 milhões – valor encontrado em notas do ex-gerente de serviços da Petrobras.

Entre as obras que teriam tido fraude em contratos estão a Refinaria Abreu e Lima, Refinaria Vale do Paraíba, Refinaria Landulpho Alves e Refinaria Duque de Caxias.

Há, ainda, indícios de transferências de propina por meio de contas secretas no exterior, feitos pela Queiroz Galvão e pelo trust Quadris, vinculado ao consórcio Quip, que favorecem funcionários da Petrobras. “Os executivos também são investigados pela prática sistemática de pagamentos indevidos a diretores e funcionários da Petrobras, bem como o repasse de valores a agremiações políticas travestidos de doações oficiais através de operadores”, segundo a PF.

Também são investigadas tentativas de prejudicar uma CPI realizada no Senado em 2009 com o objetivo de investigar irregularidades na Petrobras, por meio do tucano Sérgio Guerra. Foram identificados “indícios concretos do pagamento indevido de valores por executivos da Construtora Queiroz Galvão com o objetivo de dificultar os trabalhos da comissão”. O coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ressaltou a gravidade da obstrução dos trabalhos de apuração de 2009, porque “a investigação da CPI era como um guardião da Petrobras. As evidências indicam que o ladrão roubou a casa e, em seguida, matou o vigia”.

Resta um

Segundo a PF, o nome Resta Um remete “somente ao fato de se tratar da última empresa de grande porte investigada na formação de cartel junto à Petrobras, não remetendo a um possível encerramento das investigações da Operação Lava Jato”.

Queiroz Galvão

A Queiroz Galvão possui o terceiro maior volume de contratos investigados na Operação Lava Jato – que somam mais de R$ 20 bilhões. O MPF lembra, ainda, que há um histórico de envolvimento do grupo com grandes esquemas de corrupção – o grupo esteve envolvido nas operações Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha. As duas últimas foram anuladas nos tribunais superiores.

Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, a Queiroz Galvão representa “todos os pecados, todas as espécies de crime” da Lava Jato. Ele menciona o pagamentos de doações eleitorais aparentemente legais, caixa 2 pago para a campanha de Lula em 2006, corrupção, manutenção de funcionários no exterior para protegê-los da Justiça e obstrução de investigações, como na CPI de 2009.

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Repórter no Paraná Portal
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