Doleiro da Lava Jato é preso em operação contra o tráfico de drogas

Mariana Ohde

O operador financeiro tem, segundo a PF, acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo STF.

Polícia Federal (PF) prendeu, nesta terça-feira (15), o doleiro Carlos Alexandre, o Ceará, um dos delatores da Operação Lava Jato. O operador financeiro tem, segundo a PF, acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas voltou a atuar.

O doleiro foi alvo, hoje, da Operação Efeito Dominó, que prendeu outras sete pessoas e tem como principal alvo Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul.

Segundo a PF, Ceará atuava em conjunto com os traficantes. “Na nossa operação foram apuradas movimentações a partir de 2016, ele [Carlos Alexandre] trabalhando junto com o Cabeça Branca”, disse o delegado da PF, Roberto Biasoli.

Como ele voltou a atuar, a PF deve comunicar a PGR e o STF sobre a prisão do réu para avaliação da “quebra” do acordo firmado. Ceará pode perder os benefícios acertados, mas as informações já fornecidas por ele seguem válidas.


Ainda segundo o delegado, com as novas investigações, o material coletado na Lava Jato também deve voltar ser analisado, agora com foco no doleiro, “para ver qual a dimensão da atuação dele”.

Carlos Alexandre atuou em conjunto com o doleiro Alberto Youssef – segundo a PF, Youssef tinha interesse na relação porque o doleiro movimentava grande quantidade de recursos em espécie, por causa da atuação no tráfico de drogas.

Além de Carlos Alexandre, outras sete pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva e temporária. A Operação Efeito Dominó é um desdobramento da Operação Spectrum. Também estão entre os presos Edmundo Gurgel Junior, alvo da Operação Farol da Colina, do caso Banestado, e o doleiro José Maria Gomes.

Operação Efeito Dominó

São 26 ordens judiciais, sendo 18 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. A ação desta fase tem, dentre outros, o objetivo de reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes.

Segundo a PF, durante as investigações, foi possível identificar uma “complexa e organizada” estrutura de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Segundo a polícia, o esquema teria beneficiado, também, “clientes de doleiros”.

“De um lado, havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas e de outro, traficantes internacionais como Luiz Carlos da Rocha, possuíam disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para efetuar as transações internacionais com fornecedores de cocaína”.

Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.

O nome “Efeito Dominó”, segundo a PF, “é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico internacional de entorpecentes pois, por se tratar de crime que visa ao lucro, o dinheiro ilícito amealhado, especialmente no vultoso volume identificado nesta operação, necessita de forte estrutura de lavagem de dinheiro, consistente na movimentação de recursos em espécie no país com a intervenção de operadores financeiros”.

A referência também se baseia na identificação dos procedimentos sobrepostos de lavagem de dinheiro identificados, sempre com o objetivo de ocultar a origem e o real beneficiário dos recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

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