Operação Lava Jato
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Mais de 40 pessoas são presas em desdobramento Lava Jato

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (3) mais um desdobramento da Operação Lava Jato em 5 estados, além d..

Mariana Ohde - 03 de maio de 2018, 07:05

Foto ilustrativa: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto ilustrativa: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (3) mais um desdobramento da Operação Lava Jato em 5 estados, além do Paraguai e Uruguai. A Operação Câmbio, Desligo combate os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa. A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e conta com o apoio das autoridades uruguaias.

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São 45 mandados de prisão preventiva e temporária no Brasil e no exterior. Os mandados, no Brasil, são para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também autorizou 51 mandados de busca e apreensão.

Um dos principais alvos da ação de hoje seria o doleiro Dário Messer, também investigado nos casos do Banestado e Mensalão. Ele também que já havia sido alvo, em 2009, da Operação Sexta-Feira 13, no mercado paralelo de câmbio.

Esquema interancional

Segundo a PF, a operação mira um grupo que integrava um sistema chamado Bankdrop. Nele, doleiros remetiam dinheiro ao exterior por meio de uma ação chamada "dólar-cabo” - método que não passa pelas instituições financeiras reguladas pelo Banco Central. Usualmente, agentes públicos corruptos compram dólares no exterior de empresas que necessitam comprar reais em espécie no Brasil para corromper outros agentes públicos.

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O grupo usava softwares que facilitavam a comunicação entre doleiros de todo o mundo e facilitava o monitoramento da movimentação do dinheiro.

Ainda de acordo com a PF, 3 mil empresas offshore em 52 países - paraísos fiscais - teriam movimentado US$ 1,6 bilhão, ou R$ 5,6 bilhões. Elas são usadas para ocultar os verdadeiros donos dos valores.

De acordo com as investigações, Messer recebia 60% dos lucros das operações de câmbio, pois era o responsável por aportar recursos e dar lastro às operações. Dono de casas de câmbio, era ele quem dava respaldo às operações com seu nome e ficava responsável pela captação de clientes.

Messer chegou a possuir um banco em Antígua e Barbuda em sociedade com Enrico Machado, denominado EVG, destinado à lavagem de recursos de modo transnacional.

O EVG encerrou suas atividades em meados de 2013, e vários dos investigados pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro e até mesmo por outras operações estão listados entre seus clientes.

Atuação dos doleiros

A Operação Câmbio, Desligo é baseada na delação do doleiro Vinícius Vieira Barreto Claret, conhecido como Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony. Os dois trabalhavam para a organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Eles intermediavam operações dólar-cabo para os irmãos Chebar, também doleiros e operadores financeiros do esquema do ex-governador. Em colaboração premiada, Renato Chebar reconheceu que o volume de operação de compra de dólares aumentou consideravelmente a partir do início da gestão de Sérgio Cabral em 2007, motivo pelo qual foi necessário buscar os recursos de Juca e Tony para viabilizar as operações.

Claret e Barbosa foram presos em março do ano passado no Uruguai na Operação Eficiência, que prendeu também o empresário Eike Batista. Claret foi acusado de auxiliar na evasão de US$ 85,4 milhões de Cabral. Eles são descritos como "doleiros dos doleiros" pelo MPF.

Os dois também seriam parte de um grupo de doleiros liderado por Dário Messer que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro. Os dois operavam o dólar-cabo desde a década de 1980. Junto com Dario Messer, dono de casas de câmbio, eles montaram uma complexa rede de câmbio paralelo sediada inicialmente no Brasil e, a partir de 2003, no Uruguai, de onde comandavam remotamente os negócios.

“Os colaboradores Juca e Tony funcionavam como verdadeira instituição financeira, fazendo a compensação de transações entre vários doleiros do Brasil, servindo como 'doleiros dos doleiros', indicando clientes que necessitavam dólares (compradores) e que necessitavam reais”, explicam os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Os dois doleiros tinham um volume diário de operações nos anos de 2010 a 2016 de aproximadamente R$ 1 milhão. Para controlar as transações, os colaboradores desenvolveram o sistema informatizado próprio, de nome Bankdrop.

Dólar-cabo

A rede estruturada por Messer, Juca e Tony foi utilizada por ao menos outros 46 doleiros. Para que a operação funcione, é preciso uma extensa rede de contatos para casar as operações de compra e venda, o que era intermediado por doleiros do Juca e Tony.

A metodologia traz vantagens para os doleiros como os irmãos Chebar, que utilizaram esse esquema, pois eles conseguem realizar as operações de seus clientes sem qualquer contato com o dinheiro em espécie ou custódia de valores, o que reduz consideravelmente os seus riscos.

Mandados de prisão

Os mandados de prisão foram expedidos contra: Dario Messer, Diego Renzo Candolo, Daniela Figueiredo Neves Diniz, Marcelo Rzezinski, Roberto Rzezinski, Wu Yu Sheng, Claudia Mitiko Ebihara, Lígia Martins Lopes da Silva, Carlos Alberto Lopes Caetano, Sérgio Mizhray, Carlos Eduardo Caminha Garibe, Ernesto Matalon, Marco Ernest Matalon, Patrícia Matalon, Bella Kayreh Skinazi, Chaaya Moshrabi, Marcelo Fonseca de Camargo, Paulo Arruda, Roberta Prata Zvinakevicius, Francisco Araújo Costa Júnior, Afonso Fábio Barbosa Fernandes, Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro, Athos Robertos Albernaz Cordeiro, Suzana Marcon, Carmen Regina Albernaz Cordeiro, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Ana Lúcia Sampaio Garcia de Freitas, Camilo de Lelis Assunção, José Carlos Maia Saliba, Alexandre de Souza Silva, Claudine Spiero, Michel Spiero, Richard Andrew de Mol Van Otterlloo, Raul Henrique Srour, Marco Antônio Cursini, Nei Seda, Renne Maurício Loeb, Alexander Monteiro Henrice, Henri Joseph Tabet, Alberto Cezar Lisnovetzky, Lino Mazza Filho, Carlos Alberto Braga de Castro, Rony Hamoui, Henrique Chueke, Wander Bergmann Vianna e Oswaldo Prado Sanches.

Também foram solicitados o sequestro e arresto de bens e valores no total de R$ 7,5 bilhões de reais para restituição dos valores movimentados ilicitamente (R$ 3,7 bilhões) e reparação de danos morais coletivos.