“As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho”, diz Wesley

Mariana Ohde


Um dos donos da JBS, Wesley Batista, não respondeu perguntas durante a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, que tem o objetivo de investigar irregularidades envolvendo a empresa em operações realizadas com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), entre 2007 e 2016. As irregularidades foram alvo, em maio, da Operação Bullish e podem ter causado um prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Resguardado pelo direito constitucional de ficar em silêncio, Wesley fez apenas uma declaração aos parlamentares. Segundo ele, tornar-se um colaborador não é uma decisão fácil; é solitário, dá medo e causa muita apreensão.

“O que vejo, nesse momento que estamos vivendo no país, são colaboradores sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram. As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho, mas, como ele não gostou do que viu, o resultado tem sido esse: colaboradores presos e delatados soltos”, afirmou.

Fim do acordo

Diante da negativa de executivos da JBS em prestar esclarecimentos à CPMI, o presidente da comissão, senador Atáides Oliveira (PSDB -TO), adiantou que uma das recomendações que serão feitas ao final dos trabalhos é a rescisão do acordo de colaboração premiada dos irmãos Batista e de Ricardo Saud com o Ministério Público Federal (MPF).

“Essa colaboração desastrosa dos irmãos Batista só aconteceu porque teve um maestro, um cérebro maior que foi ex-procurador [da República] Marcelo Miller”, acrescentou Ataídes Oliveira.

Marcelo Miller, que teve um pedido de prisão negado pelo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, é o pivô da investigação que pode culminar com a rescisão da delação da JBS.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e fez parte do time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F, controlador da JBS. Miller ainda estava no Ministério Público quando começou a conversar com os executivos, no final de fevereiro.

 

Próximos Passos

No dia 22, deve ser ouvido o ex-chefe de gabinete da Procuradoria-Geral da República Eduardo Pelella, que era considerado braço direito do então procurador-geral Rodrigo Janot. Em setembro, Miller foi convidado a comparecer à comissão, mas não atendeu ao pedido. Agora, a presença dele é obrigatória.

Wesley e Joesley

Wesley e seu irmão, Joesley Batista, ambos sócios da JBS, estão presos desde de setembro. Eles foram detidos preventivamente na Operação Tendão de Aquiles.

 Os irmãos são suspeitos do crime de insider trading. Eles teriam feito transações com dólares às vésperas da divulgação da sua delação com o objetivo de lucrar com informações privilegiadas no mercado financeiro.
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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal