Procurador da Lava Jato não deve opinar nas redes sociais, decide Corregedoria

Fernando Garcel


Conhecido por fazer críticas ao presidente Michel Temer e comentários sobre a situação política do país em sua página no Facebook, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, membro da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, não deverá comentar ou manifestar suas opiniões nas redes sociais de acordo com a recomendação da Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) publicada na última terça-feira (2).

> Confira a íntegra da decisão

O procurador foi alvo de uma representação da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do ano passado. O ofício, assinado pelo Lucas Danilo Vaz Costa Júnior, cita críticas ao governo de Michel Temer, ao ex-presidente Lula e “organizações criminosas” que tem como base o PT e do PMDB.

“Temer foi leviano, inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do PGR. Já vi muitas vezes a tática de ‘acusar o acusador’. Lula faz isso direto conosco. Entretanto, nunca vi falta de coragem tamanha, usando de subterfúgios para dizer que não queria dizer o que quis dizer efetivamente. Isso é covardia e só mostra que não tem qualificação para continuar no cargo. Do jeito que vai tocar esse país é capaz de atuais acusados pela Lava Jato, também não qualificados para o cargo, consigam apoio da sociedade para voltar para a Presidência. É só lembrar que o governo incompetente de José Sarney levou ao desastre do governo Collor”, manifestou o procurador em sua página, com cerca de 20 mil seguidores, em junho do ano passado.

‘Nossos esforços serão sugados por esse vampiro’, diz procurador da Lava Jato
Procuradores da Lava Jato desabafam nas redes sociais
‘Não há como comparar com House of Cards’, desabafa procurador da Lava Jato

Na decisão, a Corregedoria decidiu arquivar o pedido do ex-presidente Lula, mas orientou que o procurador não emita juízos de valor em relação a políticos, partidos e pessoas investigadas pela força-tarefa da Lava Jato por meio de redes sociais ou em sua esfera privada por entender que Carlos Fernando dos Santos Lima tem grande visibilidade e deve manter a “integridade, a solidez, a isenção e a credibilidade como valores reitores no escorreito exercício das funções ministeriais”.

O procurador ainda não foi notificado da decisão.

 

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="475202" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]