Moro condena Bendine e mais quatro por corrupção e lavagem de dinheiro

Fernando Garcel

Fernando Garcel e Francielly Azevedo (CBN Curitiba)

O juiz federal Sérgio Moro condenou, nesta quarta-feira (7), o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine a 11 anos de prisão na Operação Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal de receber propina de R$ 3 milhões da Odebrecht para facilitar contratos entre a empreiteira e a estatal.

> Leia a íntegra da sentença

O magistrado determinou que o início de cumprimento da pena seja em regime fechado. Segundo a sentença, a progressão do regime fica condicionada à devolução do “produto do crime”.

O ex-presidente da Petrobras foi preso em julho de 2017, na 42ª fase da operação, denominada “Cobra”. Ele também foi presidente do Banco do Brasil em 2009. Em 2015, foi nomeado para o comando da estatal, no lugar de Graça Foster, com a missão de acabar com a corrupção na petroleira. Porém, segundo os delatores da Lava Jato, Bendine já cobrava propina no Banco do Brasil e continuou fazendo na Petrobras.


Na sentença, Moro destaca que Bendine havia sido nomeado como presidente da Petrobras em meio aos escândalos revelados pela Lava Jato. “O último comportamento que dele se esperava era de corromper-se, colocando em risco mais uma vez a reputação da empresa”, afirma o magistrado.

Além de Bendine, o magistrado também condenou o publicitário André Gustavo Vieira da Silva, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, por crime de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; e o doleiro Álvaro José Galliez Novis por lavagem de dinheiro.

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Investigações 

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras foi preso no dia 27 de julho suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, ele realizou pagamento de impostos sobre o valor da propina para dificultar as investigações.

Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os valores para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano. O valor foi repassado em três entregas em espécie, de R$ 1 milhão cada, em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos São Paulo.

Um dos argumentos que levaram o MPF a pedir a prisão preventiva de Bendine foi a compra de uma passagem só de ida para Portugal por parte do investigado.

Operador entrega esquema

O publicitário André Gustavo afirmou ainda que a expectativa era de receber um total de R$ 17 milhões da Odebrecht, valor que acabou não sendo pago por conta das investigações da Lava Jato.

“O valor solicitado foi R$ 17 milhões, por Fernando Reis para mim. Eu acho que Fernando Reis cumpriu dois papéis diferentes. Com o Marcelo (Odebrecht) ele acertava que iria pagar só uma parte. Para mim ele dava a entender que devia os 17 (milhões)”, afirmou.

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Obstrução de Justiça

Na denúncia, os procuradores encontraram e-mails em que Bendine e André Gustavo tentavam obstruir a Justiça com o pagamento de impostos e contrato de consultoria. Bendine também teria tentado convencer o motorista pessoal para não prestar depoimento ao MPF em uma investigação de 2014.

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Os procuradores destacaram a importância dos acordos de delação premiada e de leniência firmados com a Odebrecht para que a Lava Jato chegasse até o ex-presidente do BB. “Não fosse o acordo firmado com a Odebrecht, não feriamos conhecimento desse fato gravíssimo Presidente da Petrobras pedindo propina em pleno desenrolar da Lava Jato”, explicou a procuradora República Jerusa Burmann Viecili, membro da força-tarefa.

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