“As pessoas diziam que iam lá jogar futebol e visitar o presidente”, diz Pedro Corrêa

Fernando Garcel

O juiz federal Sérgio Moro ouviu o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) na ação penal que apura vantagens indevidas de contratos de empreiteiras com a Petrobras aplicadas em obras em um sítio de Atibaia (SP), atribuído pelo Ministério Público Federal (MPF) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta quinta-feira (22). Na oitiva, o Corrêa declarou que sabe sobre o imóvel de uma maneira superficial, mas que tem conhecimento de que pessoas visitavam o ex-presidente em um sítio no São Paulo.

“Eu não tenho nenhum conhecimento de reformas feitas em um sítio de Atibaia. Eu sabia que o presidente Lula tinha um sítio em Atibaia porque as pessoas diziam que iam lá jogar futebol, visitar o presidente. Mas eu não tinha conhecimento, nunca fui, não sabia nem o nome do sítio. Eu sabia que os contratos tinham propina porque nós recebíamos propina da diretoria de Abastecimento. Eu conheço o fato de uma maneira geral”, afirma a testemunha.

Durante o depoimento, o ex-deputado declarou que não participou da celebração dos contratos da Petrobras com empreiteiras discutidos na ação penal que envolve vantagens indevidas aplicadas em obras em um sítio em Atibaia.

Confira:


[insertmedia id=”nUfhc7itt30″]

Empresário fez obras em sítio de Atibaia por medo de perder contratos com Odebrecht
> Odebrecht não queria ser identificada por obra em sítio, diz engenheiro
> Delator apresenta movimentação de R$ 700 mil para sítio de Atibaia, diz MPF

Colaborador das investigações

Antes do depoimento, a defesa do ex-presidente Lula tentou anular a oitiva com o colaborador pela ausência do acordo de colaboração de Corrêa nos autos do processo.

“A defesa não tem conhecimento do acordo de colaboração firmado pelo senhor Pedro Corrêa. Não sabe dos termos e condições de acordo o que é necessário e fundamental”, diz o advogado Cristiano Zanin que também lembrou que o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo em janeiro de 2017, rejeitou um acordo de colaboração com a testemunha.

O procurador do Ministério Público Federal (MPF), Athayde Ribeiro Costa, afirmou que o órgão procurou a Procuradoria Geral da República (PRG) sobre o acordo de colaboração de Corrêa, mas que não recebeu até a data de hoje. Porém, o procurador aponta que “não há novidades entre as partes sobre o teor do depoimento” e que trata-se de empréstimo de provas.

“Todos já conhecem o depoimento de Pedro Corrêa e já hoube um despacho de empréstimo de prova. Nesse sentido, para evitar a perda deste ato processual, o Ministério Público Federal entende que deve seguir os atos e a oitiva”, declarou Athayde.

O juiz federal Sérgio Moro decidiu ouvir a testemunha por concordar com a posição do MPF

Leia também:

Condenado, Pedro Corrêa vai fazer cirurgia e cumprir pena em regime domiciliar
Emílio Odebrecht e Pedro Corrêa prestam depoimento em processo contra Lula

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook