Aécio vira réu no STF acusado de corrupção e obstrução de Justiça

Mariana Ohde, Jordana Martinez e Agência Brasil

A denúncia foi apresentada há dez meses e, se for aceita, Aécio passa a ser réu.

Os cinco ministros da 1ª Turma do STF decidiram receber a denúncia e abrir um processo criminal contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça.

As acusações fazem parte de um dos inquéritos resultantes da delação do empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Com a decisão, o senador se torna réu no processo.

A decisão foi tomada com base no voto do ministro Marco Aurélio, relator do caso. Para o ministro, o fato de o senador ter sido gravado por Joesley e citar que tentaria influi na nomeação de delegados da Polícia Federal mostra indício dos crimes que teriam sido praticados por ele.

Também são alvos da mesma denúncia e também se tornarão réus a irmã do senador Andrea Neves, o primo Frederico Pacheco e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), flagrado com dinheiro vivo. Todos foram acusados de corrupção passiva.


Denúncia

A denúncia foi apresentada há dez meses. Aécio agora responderá pelo recebimento de propina do grupo J&F. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador teria solicitado ao empresário Joesley Batista R$ 2 milhões em troca de favorecimentos políticos para o grupo.

Ainda de acordo com a PGR, Aécio teria tentado atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato – ele teria trabalhado para aprovar uma lei contra o abuso de autoridade (PLS 85/2017), que prejudicaria os trabalhos, e também a anistia a crimes de caixa 2. Aécio é acusado, ainda, de tentar interferir na escolha de delegados para a força-tarefa da Lava Jato.

Também foram denunciados, neste caso, a irmã do senador, Andréa Neves da Cunha, o primo dele, Frederico Pacheco de Medeiros, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (MDB-MG). A irmã de Aécio é acusada de pedir o dinheiro a Joesley e o primo e o ex-assessor teriam guardado a quantia em espécie.

Defesa

A defesa do senador alega que Aécio é vítima de “situação forjada, arquitetada por criminosos confessos que, sob a orientação do então procurador Marcelo Miller, buscavam firmar um acordo de delação premiada fantástico”. Marcelo Miller é o ex-procurador da República suspeito de ter orientado indevidamente Joesley na negociação do acordo de delação.

As informações constam em nota divulgada ontem pelo advogado Alberto Toron, que representa Aécio Neves. A defesa sustenta que o dinheiro seria um empréstimo pessoal. Na conversa, gravada pela Polícia Federal (PF), o senador afirma que usaria o dinheiro para pagar advogados.

Nesta segunda-feira, a defesa do senador pediu acesso às provas já produzidas nas investigações. Na nota, a defesa criticou o possível recebimento da denúncia pelo STF antes que esse acesso fosse concedido.

“Considerando que se trata de direito constitucionalmente previsto, é imprescindível que o acesso seja deferido antes da votação do recebimento da denúncia, uma vez que esses elementos podem comprovar a ilegalidade de provas e das armadilhas arquitetadas contra o senador com a participação de membros do MPF”, diz a nota.

Manifestação pública

Ontem, o senador se manifestou publicamente em entrevista coletiva. À imprensa, Aécio reforçou o argumento de que ele foi vítima de uma situação forjada.

“Nós estamos falando de um criminoso réu confesso de mais de 250 crimes que vai gravar alguém para que se transformasse aquela conversa, aquela gravação, em algo comprometedor, ele teria os benefícios inimagináveis que acabou, por algum tempo, tendo: perdão total e eterno dos crimes cometidos. E isso acabou ocorrendo”, criticou.

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