Operação Déjà Vu mira esquema que beneficiou políticos do PMDB

Mariana Ohde e Assessoria

Um dos operadores financeiros investigados atuava como intermediário para integrantes do então PMDB.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (8), mais uma fase da Operação Lava Jato. A Operação Déjà Vu cumpre mandados no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. São 23 ordens judiciais; quatro mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 17 mandados de busca e apreensão.

Os mandados de prisão são contra três ex-funcionários da Petrobras e três operadores financeiros – um deles atuava como intermediário de valores destinados a políticos vinculados ao então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), hoje Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Operação Dejà Vu apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em um contrato de US$ 825 milhões para prestação de serviços de segurança, meio ambiente e saúde na área Internacional da Petrobras.

Corrupção favoreceu políticos do PMDB

As investigações, de acordo com o MPF, identificaram pagamentos de propina, realizados entre 2010 e 2012, que superam US$ 56,5 milhões – o equivalentes, atualmente, a aproximadamente R$ 200 milhões.

O dinheiro foi pago pela obtenção de um contrato de mais de US$ 825 milhões, que foi firmado em 2010 pela Petrobras com a construtora Odebrecht. O contrato previa a prestação de serviços de reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) para a estatal, em nove países, além do Brasil.

As provas obtidas indicam dois núcleos de recebimento da propina: funcionários da estatal e agentes que atuavam como intermediários de políticos vinculados ao então PMDB.

Para os ex-funcionários da Petrobras, há provas de repasses de cerca de US$ 25 milhões. Os valores foram transferidos em bancos estrangeiros de modo escalonado, em diferentes contas no exterior, para dificultar o rastreamento de sua origem e natureza ilícitas.

Os ex-funcionários da Petrobras investigados foram, recentemente, condenados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro pela prática de crime licitatório, justamente por direcionar, em favor da Odebrecht, o certame relativo ao referido contrato.

Ainda de acordo com o MPF, cerca de US$ 31 milhões foram destinados a políticos vinculados ao então PMDB, por meio de intermediários. “O pagamento neste núcleo se deu por meio da utilização de contas mantidas por operadores financeiros no exterior, que se encarregavam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos”, informa o MPF.

Déjà Vu

Esta nova fase, segundo a PF e MPF, revelou a utilização de recursos já conhecidos na Lava Jato. Foram usadas contas no exterior e que estavam em nome de empresas offshores, com sede em paraísos fiscais, operadores financeiros e doleiros, especialistas em lavagem de dinheiro.

Os pagamentos de propina foram viabilizados, também, pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – onde foram encontrados controles e comprovantes dos pagamentos aos executivos públicos, que eram referidos por meio de diversos apelidos, como “Acelerado”.

Conforme destacado pelo procurador da República Roberson Pozzobon, “essa 51a fase da Operação Lava Jato revela um caso em que, infelizmente, houve o ciclo completo da corrupção”.

“Mediante a promessa e o efetivo pagamento de mais de R$ 200 milhões de propina em favor de diversos agentes públicos, operadores financeiros e representantes de partidos políticos, a construtora Odebrecht foi ilicitamente beneficiada antes e durante a execução de um contrato de mais de R$ 3 bilhões com a Petrobras. Os prejuízos para os cofres públicos decorrentes dessas práticas criminosas ilustram bem os efeitos deletérios do capitalismo de cupinchas ou de compadrio”.

Uma das principais fontes de provas para esta nova fase foram acordos de delação premiada e de leniência firmados com o grupo Odebrecht e seus executivos, pedidos de cooperação jurídica internacional mantidos com a Suíça e investigações internas da Petrobras.

O procurador da República Júlio Noronha, integrante da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, afirma que “o caso demonstra que o acordo de leniência e os acordos de colaboração potencializam as investigações”.

“Com o acordo, um dos participantes do acerto criminoso revela o motivo do pagamento de propina. A hipótese investigativa é, então, confirmada por provas fornecidas pelo colaborador e pelas obtidas por outros meios, como a cooperação internacional. A investigação fica mais célere, completa e robusta”.

Previous ArticleNext Article
Repórter no Paraná Portal
[post_explorer post_id="521821" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]