“A CPI foi totalmente dominada pelo governo”, afirma Alvaro a Moro

Jordana Martinez


Em depoimento ao juiz Sergio Moro, por videoconferência, nesta terça-feira (21), o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) revelou detalhes sobre as investigações feitas pela CPI da Petrobras,  no Senado. Segundo o senador, a CPI foi “totalmente dominada pelo governo” e, por isso, foi adotada a estratégia de apresentar um relatório paralelo com as principais suspeitas de corrupção envolvendo a estatal.

“A CPI foi totalmente dominada pelo governo, naquilo que nós chamamos de “abafa CPI”. Foi impossível aprofundar as investigações. Por isso nós apresentamos um relatório paralelo com os principais casos de corrução”, afirmou.

Segundo o senador, as 18 representações foram protocoladas no Ministério Público em 2009. Entre as principais denúncias estava as irregularidades encontradas nos contratos com as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná.

Segundo Alvaro Dias, a negociação com a Abreu e Lima “foi um superfaturamento recorde. Em menos de três anos, os investimentos inicialmente estimados em US$ 4 bi, passaram para US$12 bi com “claro superfaturamento”.

“Foram identificadas ao menos 12 indícios de irregularidades”, disse.

Já em 2012, segundo o senador, uma nova representação foi encaminhada ao MP, com “a negociata da Petrobras com a Pasadena (EUA)”. Em fevereiro de 2013 o inquérito foi instaurado pelo MP.

Vantagens indevidas para barrar CPI

Alvaro Dias prestou depoimento como testemunha de defesa do ex-presidente da Galvão Engenharia, Ildefonso Colares Filho, réu na lava jato.

O Ministério Público Federal acusa Colares Filho de pagar mais de 10 milhões de reais em propina ao então senador Sérgio Guerra, que era do PSDB de São Paulo e morreu em 2014 e ao deputado federal Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco, para abafar a CPI. A Comissão tinha seis meses para apurar irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo, no entanto, os políticos fizeram “vistas grossas”.

Questionado sobre a “operação abafa”, Alvaro Dias falou que “especulações sempre existiram, boatos sempre existiram, mas eu não posso afirmar se esse foi o instrumento utilizado para abafar a CPI. Também não posso afirmar que não tenha havido o pagamento de propina, porque boatos existiram”, disse.

A investigação surgiu a partir da delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Segundo ele, houve encontros reservados entre Guerra e Fonte, em ao menos quatro ocasiões, para discutir o pagamento de propina para que a comissão não tivesse efetividade.

O deputado Eduardo da Fonte responde à ação junto ao Supremo Tribunal Federal, por conta do foro privilegiado.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.