À PF, chefe de gabinete de Palocci diz desconhecer negócios com a Odebrecht

Roger Pereira


O ex-chefe de gabinete de Antônio Palocci, Juscelino Dourado, disse, em depoimento aos delegados da Polícia Federal que não tem qualquer relacionamento com o ex-ministro desde setembro de 2005. Dourado foi preso na última segunda-feira na 35ª fase da Lava Jato. A força-tarefa da Lava Jato acusa o ex-assessor de ser o responsável pelo recebimento de vantagens indevidas no valor de R$ 44 milhões.

O advogado de defesa Cristiano Maronna disse que, em depoimento desta quarta-feira (28), o ex-assessor negou todas as acusações. “Ele disse que desconhecia, que jamais tratou de qualquer questão relacionada a esse tema de negócios na África, até porque, na função de chefe de gabinete do ministro da Fazenda, ele tinha a função específica de controlar a agenda do ministro. Mas ele não tinha responsabilidade sobre o conteúdo das reuniões e não participava das deliberações. E, até onde ele sabe, esse assunto nunca foi tratado”.

O interrogatório, que começou as duas da tarde, teve duração de mais de três horas. De acordo com a defesa, Dourado ainda esclareceu aos investigadores que, atualmente, vive da atividade dele no setor privado. “Dese que ele pediu a exoneração do cargo, em 2005, ele jamais voltou a ter qualquer cargo, função ou emprego público e jamais se dedicou a qualquer assunto da administração pública e nunca mais teve qualquer relacionamento com Antonio Palocci, seja no âmbito pessoal ou no âmbito profissional”.

A prisão do ex-chefe de gabinete de Antonio Palocci é temporária e vence na próxima sexta-feira. Agora, o advogado Cristiano Marona espera que a prisão não seja prorrogada, nem convertida em preventiva. “Ele tem endereço fixo, ocupação lícita, está à disposição das autoridades, de modo que não há, em nosso entender, a necessidade da prisão cautelar. Por isso esperamos que ele seja colocado em liberdade na sexta-feira”.

O outro ex-assessor de Palocci detido na 35ª fase da Lava Jato, Branislav Kontic, será ser ouvido na manhã desta quinta-feira, a partir de 10 horas. À tarde, quem depõe é o ex-ministro. Os depoimentos precisam ser tomados até sexta que é quando vence o prazo das prisões temporárias. Depois de ouvir os investigados, as autoridades podem pedir a renovação da prisão por mais cinco dias, ou a conversão delas para preventiva, que não tem data para vencer. Se não houver manifestação da força-tarefa, os investigados poderão ser soltos. A decisão cabe ao juiz Sérgio Moro. Os três detidos são suspeitos de participação em um esquema de pagamento sistemático de propinas que beneficiava o Partido dos Trabalhadores e a empreiteira Odebrecht. Os repasses feitos a Palocci entre 2006 e 2013 ultrapassam a marca de R$ 128 milhões.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal