“A propina nasceu junto com a Sete Brasil”, diz Barusco

Roger Pereira


Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, na última sexta-feira, o ex-gerente da área de serviços da Petrobas e ex-diretor da Sete Brasil, Pedro Barusco, defendeu a iniciativa do governo federal de criar a Sete Brasil e negou que a fundação da empresa tenha sido uma manobra para se superfaturar com contratos de plataformas e cobrar propina. “A ANP estabeleceu regras de conteúdo local para a exploração do pré-sal, então, era determinante para a Petrobras a construção de sondas no Brasil. E, neste contexto, discutimos a criação da Sete Brasil”, disse. “Era melhor para a Petrobras, melhor para o Brasil. Foi por isso que foi criada a Sete Brasil, não para ganhar propina”, disse.

Questionado, então, sobre quando a prática de propina surgiu na nova empresa, ele foi direto: “nasceu junto. O costume de cobrar 1% de propina nos contratos de consntrução veio da Petrobras para a Sete Brasil. Eram as mesmas empresas, todos já sabiam como funcionava, e isso continuou valendo para a Sete Brasil”, disse.

Também voltaram a depor nesta sexta-feira o empreiteiro Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC Engenharia, ex-dirigente da UTC Walmir Pinheiro Santana, e o lobista Milton Pascowitch, que atuou junto à Petrobras em nome da Engevix. Desta vez, eles falaram como testemunha de acusação no processo que envolve o operador Zwi Skornicki, o ex-presidente da Sete Brasil João Ferraz, o marqueteiro João Santana e a esposa Mônica Moura e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Segundo Ricardo Pessoa, o esquema de arrecadação de propina a diretores da Petrobras e a partidos políticos ocorreu entre 2004 e 2012. No caso da diretoria de Serviços, comandada à época por Renato Duque, o esquema previa 0,5% de propina nos valores dos contratos para executivos da Petrobras e 0,5% para o PT, recolhido por meio de João Vaccari Neto. Pascowitch disse que, na área política, atuava no repasse das “comissões” ao grupo do ex-ministro José Dirceu.

Quem saiu satisfeita da audiência foi a defesa de João Santana e Mônica Moura, já que nenhum dos delatores citou conhecer os publicitários e disseram não ter nenhuma informação sobre pagamento aos marqueteiros das últimas campanhas do PT. O advogado Fábio Toffic acredita que as declarações prestadas pelos delatores podem absolver João Santana e Monica Moura. “Ninguém cita os nomes dos publicitários. Está se construindo uma prova neste processo muito contundente de que os prestadores de serviços do PT não tinham qualquer conhecimento do esquema de corrupção, o que, acreditamos, levará à absolvição deles”, afirmou.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal