Advogado de Dirceu prevê que ele volte para a prisão em um curto espaço de tempo

Roger Pereira


Ao deixar a sessão do Supremo Tribunal Federal que decidiu pela concessão de habeas corpus para seu cliente, o advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval admitiu que Dirceu deva voltar para a prisão em um curto espaço de tempo. O advogado lembrou que o STF decidiu que Dirceu não deveria estar preso porque tem direito a se defender em liberdade até a condenação em segunda instância, o que deve ocorrer em breve, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região analisar os recursos da defesa contra as duas sentenças do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba que condenaram Dirceu por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Talvez ele fique pouco tempo em liberdade, talvez ele volte para a prisão, acho até que, provavelmente, ele deva voltar em breve para a prisão. Mais importante que ele voltar ou não para a prisão é a gente ter essa decisão que ele não precisava ficar preso. Ficou claro que ele está há dois anos preso sem necessidade. Para, vale essa resposta. É um homem com 72 anos de idade, condenado, exageradamente há mais de 30 anos de prisão, ou seja, condenado à prisão perpétua. Então essas pequenas vitórias valem muito para ele continuar lutando”, afirmou o advogado, não vislumbrando hipótese de absolvição na segunda instância.

Podval comemorou a decisão da 2ª Turma do STF, que determinou que Dirceu responda em liberdade, cumprindo medidas alternativas, mas lembrou que, apesar dos recentes habeas corpus concedidos pela 2ª Turma, isso não é uma regra. “Cada caso é um caso, justiça criminal é muito específica, nada aqui é automático. O triste disso tudo é que, dois anos depois se decidiu que ele não precisava estar preso. Ou seja, ele ficou dois anos preso sem necessidade”.

Sem influência política

O advogado ainda aproveitou para elogiar a conduta dos ministros do STF e criticar a força-tarefa da Operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro. “Como é bonita a Justiça. Muitos dos petistas criticavam o ministro Gilmar Mendes e a decisão final foi dele. Aqui no Supremo a gente pode saber que, pelo menos aqui, a gente está alheio à discussão político partidária, isso dá uma grande segurança para nós advogados”.

Questionado sobre a nova denúncia apresentada nesta manhã pelo MPF contra Dirceu, o advogado tratou como um jogo dos procuradores da Lava Jato. “Ainda vamos tomar ciência do teor, mas ficou claro que foi uma tentativa de intimidação da defesa e do próprio Supremo. Isso não se faz. Tudo isso é sério demais para ser levado assim. Está mais do que na hora desses procuradores pensarem de forma maior. Isso não é um jogo, não se brinca com isso. Justiça não é isso. Se qualquer advogado fizesse o que eles fizeram, certamente seria punido pela OAB”, concluiu.

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Repórter do Paraná Portal
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