Advogados de Lula convocam coletiva de imprensa para apresentar recibos originais

Fernando Garcel

Fernando Garcel com Narley Resende

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocaram uma coletiva de imprensa em Curitiba, nesta terça-feira (24), para apresentar os recibos de aluguéis do apartamento de São Bernardo do Campo (SP). Os documentos, peticionados na ação penal em que o ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht, foram questionados pelo juiz federal Sérgio Moro que solicitou os originais. Os advogados vão entregar os recibos originais na Justiça Federal na tarde de hoje.

Defesa de Lula contesta veto de Moro a perito para entregar recibos

A defesa de Lula havia solicitado uma audiência para entregar os recibos, com a presença de um perito, mas o magistrado recusou o pedido. “Os recibos deverão ser entregues na Secretaria deste Juízo e que os acautelará para submetê-los a perícia caso seja de fato deferida”, diz Moro em despacho.

De acordo com a defesa de Glaucos da Costamarques, proprietário do imóvel, todos os recibos de aluguéis foram assinados de uma só vez, quando ele estava internado no Hospital Sírio Libanês. Eles teriam sido levados pelo advogado de Lula, Roberto Teixeira. Moro solicitou o registro de visitas e o hospital afirmou, por três vezes, que o advogado de Lula, que teria levado os recibos para a assinatura, não foi até o hospital. 


Acusação

A propriedade do apartamento faz parte da denúncia apresentada pelo MPF, que acusa o petista de receber propina da Odebrecht. Para os procuradores, Lula não pagou aluguéis pelo uso do imóvel, que teria sido adquirido com dinheiro da empreiteira.

O negócio foi fechado em nome do engenheiro e empresário Glaucos da Costamarques, em 2010. Os advogados do ex-presidente contestam a afirmação. Eles apresentaram 26 recibos para comprovar que o aluguel do imóvel foi negociado em uma relação privada.

Capturar-31O Ministério Público Federal argumenta que a defesa de Costamarques informou que os recibos referentes ao ano de 2015 foram assinados todos de uma só vez, no período em que o empresário esteve internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em dezembro daquele ano.

Segundo os procuradores, dados da quebra de sigilo bancário indicam não haver fluxo financeiro na conta de Costamarques que seja compatível com o recebimento dos valores de aluguel entre 2011 e 2015.

O apartamento em São Bernardo do Campo é um dos objetos da ação penal, que acusa o ex-presidente de ter sido beneficiado pela Odebrecht com o uso do imóvel e também com um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

 

 

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