Advogados de Palocci negam que mudança da defesa seja exigência do MPF

Narley Resende


Narley Resende, com Lenise Aubrift Klenk, Thaissa Martiniuk e Ângelo Sfair

Os advogados recém contratados para negociar acordo de delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci negam que sua contratação tenha sido uma “exigência” da força-tarefa da operação Lava Jato.

Por meio de nota, o escritório afirma que “não houve qualquer ‘exigência’ (nem sequer mínima alusão) por parte do MPF ou da Polícia Federal na contratação ou destituição deste ou daquele Escritório”.

Os advogados afirmam que a “escolha foi feita por livre e espontânea vontade” de Antonio Palocci. A nota, assinada por Adriano Bretas, Tracy Reinaldet, André Pontarolli e Matteus Macedo, aponta que o criminalista José Roberto Batochio, que fazia a defesa de Palocci desde que o ex-ministro foi preso na 35ª fase da Lava Jato, “sempre anunciou, publicamente, que, dependendo da alternativa escolhida pelo cliente na estratégia da defesa, renunciaria à causa”.

Sobre a desistência de um habeas corpus, que poderia beneficiar Palocci, o escritório afirma que “desistir ou prosseguir no Habeas Corpus é uma escolha livre e exclusiva da defesa, sem qualquer interferência, muito menos “exigência” do MPF, PF, ou quem quer que seja”.

A nota é uma resposta a jornais, com a Folha de São Paulo, publicaram matérias em que apurações apontaram que o afastamento de Batochio da defesa seria uma exigência da Força Tarefa.

Mudança de advogados

Na semana passada, Palocci retomou o contrato com os advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldet, com quem havia rompido um acerto inicial.

Por este motivo, o criminalista José Roberto Batochio protocolou na sexta-feira (12) um documento informando que deixou o caso. Ele alegou que houve uma mudança de orientação na defesa técnica do cliente e que, por isso, vai desistir da causa.

Em nota, Batochio afirmou que deixou a defesa porque o Palocci iniciou “tratativas para celebração do pacto de delação premiada com a Força Tarefa Lava Jato”. Ele confirmou que não aceita essa estratégia em nenhuma das causas que defende.

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Os advogados que tomam a frente da negociação são os mesmos que fecharam o acordo de outros delatores conhecidos da Operação Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef, o empresário Júlio Camargo e o ex-senador Delcídio do Amaral.

Antônio Palocci está detido em Curitiba desde setembro do ano passado, quando foi preso preventivamente na Operação Omertà. Ele é acusado de receber em nome do PT propinas pagas pela empreiteira Odebrecht. Em contrapartida, Palocci defendia os interesses da empreiteira junto ao governo federal.

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Leia abaixo a íntegra de nota do escritório de Batochio

“O Escritório José Roberto Batochio Advogados Associados deixa hoje o patrocínio da defesa de Antonio Palocci em dois processos que contra este são promovidos perante o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, em razão de o ex-ministro haver iniciado tratativas para celebração do pacto de delação premiada com a Força Tarefa Lava-jato, espécie de estratégia de defesa que os advogados da referida banca não aceitam em nenhuma das causas sob seus cuidados profissionais.”

Acusação contra Palocci

Em depoimento a Moro, o delator e empresário Marcelo Odebrecht, responsável pela empreiteira, confirmou que Palocci é o “Italiano” que aparece nas planilhas de pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, considerado pela Lava Jato como o setor de pagamento de propinas da empresa.

> “Codinome italiano eu só usava para me referir a Palocci”, diz Odebrecht

A publicitária Mônica Moura afirmou que o ex-ministro era quem a encaminhava quem iria receber os valores de caixa 2.

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Palocci está preso desde o dia 26 de setembro na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. O assessor dele, Branislav Kontic foi preso no mesmo dia, mas liberado em 15 de dezembro após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Denúncia

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal. Isso aconteceu entre 2006 e 2015.

Segundo as investigações, a interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados principalmente ao Partido dos Trabalhadores (PT).

PF prende Antônio Palocci na 35ª fase da Lava Jato

Ainda de acordo com o MPF, o ex-ministro também teria participado de uma conversa sobre a compra de um terreno pra a sede do Instituto Lula, feita pela Odebrecht.

A ação penal decorrente da Operação Omertà tem 15 réus, entre eles Palocci e o herdeiro do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

Palocci está preso desde setembro de 2016, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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