Alvo da Lava Jato, consórcio de empreiteiras pagou R$ 39 milhões em propina

Fernando Garcel


O Consórcio Novo Cenpes, alvo da 31ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Operação Abismo”, pagou cerca de R$ 39 milhões em propina, entre 2007 e 2012, para agentes públicos e para uma empresa privada com o objetivo de firmar um contrato com a Petrobrás. A informação foi revelada pelo procurador da República Julio Carlos Motta Noronha durante a coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (4), em Curitiba.

De acordo com as investigações da força-tarefa, o consórcio formado pelas construtoras OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Shahin Engenharia formaram um cartel para construção do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro.

As empreiteiras teriam acertado o preço para vencer a licitação, mas a WTorre Engenharia, que não fazia parte do cartel, teria oferecido um valor menor pela obra. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), cerca de R$ 18 milhões foram pagos à construtora para que a mesma desistisse da licitação. “Além da corrupção no âmbito público, há uma corrupção privada para fraudar a licitação”, diz Noronha.

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Além da WTorre Engenharia, existem indícios de pagamento de propina para funcionários da Petrobras e para Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Paulo Ferreira é o terceiro ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores envolvido na Lava Jato. João Vaccari Neto já foi condenado duas vezes em ações penais relacionadas à operação e Delúbio Soares de Castro – condenado no Mensalão – é réu na Lava Jato.

Por fim, o consórcio fechou um contrato no valor de R$ 850 milhões com a Petrobrás, porém, após aditivos, a obra gerou um custo superior a R$ 1 bilhão, segundo os procuradores.

31ª fase da Operação Lava Jato

A Polícia Federal (PF) deflagrou mais uma fase da Operação Lava Jato nesta segunda-feira (4). A 31ª fase foi chamada Operação Abismo e conta com o apoio da Receita Federal. São 35 ordens judiciais, sendo sete conduções coercitivas, quatro prisões temporárias, uma prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão. Cerca de 110 policiais federais e aproximadamente 20 servidores da Receita Federal cumprem as determinações judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

A nova fase apura fraudes ao processo licitatório, pagamento de valores indevidos a servidores da Petrobras e o repasse de recursos a partido político em virtude do sucesso obtido por empresas privadas em contratações específicas como, por exemplo, o projeto de reforma do Cenpes – Centro de Pesquisas da Petrobras – estabelecido na Ilha do Fundão, na cidade do Rio de Janeiro. O esquema investigado envolve R$ 39 milhões em pagamentos de propina.

São apuradas as práticas de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude a licitação num contexto amplo de sistemático prejuízo financeiro à estatal.

Os presos serão levados à sede da Polícia Federal em Curitiba ainda hoje, a exceção de Adalberto Alves Ferreira, ex-tesoureiro do PT, que foi detido na Operação Custo Brasil. Edson Freire Coutinho, executivo da Schahin Engenharia, também foi preso temporariamente. Os outros presos são Erastor Messias da Silva Jr e Genesio Schiavinatto Jr, ambos considerados foragidos, e Roberto Ribeiro Capobianco.

Leia mais em:
> Polícia Federal deflagra a 31ª fase da Operação Lava Jato

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