“Amanhã tem pescaria no lago”, diz mensagem de executivo da Odebrecht para operador

Narley Resende


A força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba anexou nessa segunda-feira (27) ao processo referente ao ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, mensagens trocadas entre o operador financeiro André Gustavo Vieira da Silva (que confessou operar propina a Bendine) e o ex-executivo da Odebrecht e delator da Lava Jato, Fernando Miggliaccio.

As mensagens foram encontradas no celular de Miggliaccio que coordenava o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, chamado de setor de propinas da empreiteira. Para o MPF, as conversas tratavam de acertos de propina.

Bendine é acusado de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht para facilitar a participação da empreiteira em contratos com a Petrobras. Os valores teriam sido pagos em espécie em três parcelas e entregues entre os meses de junho e julho de 2015.

Em uma das mensagens encontradas no celular do ex-executivo da empreiteira, Fernando Miggliaccio, da Odebrecht, teria dito a André Gustavo, operador, por Whatsapp: “amanhã tem pescaria no lago”.

A conversa foi trocada em junho de 2015, um dia antes da data citada pelo taxista Marcelo Casimiro que afirma que teria transportado uma encomenda para o operador financeiro e entregue o malote em um apartamento indicado por ele.

O taxista disse em depoimento que para receber e entregar as encomendas se comunicava com o operador e com executivos da Odebrecht utilizando senhas como “rio” ou “lagoa”.

De acordo com a delação de ex-executivos da empreiteira, Bendine teria solicitado a propina quando ainda era presidente do Banco do Brasil.

No entanto, os pagamentos só foram acertados quando ele assumiu a frente da Petrobras. Em interrogatório ao juiz Sérgio Moro, o operador financeiro André Gustavo admitiu ter intermediado
a entrega de propina a Bendine e que utilizou os serviços de um taxista de confiança para transportar o dinheiro.

O empresário Marcelo Odebrecht que também é réu neste processo, incluiu a ação penal e-mails trocados entre ex-executivos da empreiteira em maio de 2015.

Nas conversas os gestores comentavam sobre as tratativas junto a estatal. Segundo o MPF, Bendine teria cobrado propina para não prejudicar a empresa em contratos com a Petrobras e também para amenizar os efeitos das investigações da Lava Jato.

Neste processo são réus além de Bendine, o empresário Marcelo Odebrecht, os operadores financeiros
e irmãos, André Gustavo e Antônio Carlos Vieira, o doleiro Álvaro Novis e o ex-executivo da Odebrecht, Fernando Reis.

Bendine foi transferido para o Complexo-Médico Penal na segunda-feira (27) por determinação do juiz Sergio Moro, que também determinou que ele fique em local separado de André Gustavo.

Mensagem Bendine

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