Essa é a primeira vez que Lula é interrogado como réu no processo. Ele é acusado de ser beneficiário de um triplex no Edifício Solaris, na praia Guarujá, no litoral paulista, construído pela pela cooperativa habitacional do sindicato dos bancários (Bancoop), que foi comprado e reformado pela empreiteira OAS. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula seria o verdadeiro dono do imóvel e o teria recebido como vantagem indevida em troca de favores. O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Depois que Moro terminar as perguntas, o magistrado vai abrir o interrogatório para os representantes do MPF e depois passa a palavra para os advogados de defesa do ex-presidente e dos demais réus da ação penal. A audiência não tem horário para terminar.

Outros réus são os ex-executivos da OAS Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fabio Hori Yonamine, José Aldemário Pinheiro Filho e Paulo Roberto Valente Gordilho; o advogado Roberto Moreira Ferreira; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Tarciso Okamotto. A ex-primeira-dama Marisa Letícia também estava entre os réus, mas morreu no dia 3 de fevereiro.

Depois de ouvir o ex-presidente e receber as alegações finais do MPF e das defesas, Moro deve decidir se condena ou absolve os réus do processo. Não há prazo para a decisão.

Primeiro depoimento

Em março de 2016, quando foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal, o ex-presidente Lula negou a propriedade do triplex: “Eu acho que estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque eu tenho um apartamento que não é meu… a polícia inventa a história do Triplex, que foi uma sacanagem homérica, inventa a história de uma off-shore do Panamá, que veio para cá, que tinha vendido o prédio, toda uma história para tentar me ligar à Lava Jato… e passado alguns dias descobrem que a off-shore não era a dona do triplex, que dizem que é meu”, afirmou à época.