Após seis meses de prisão domiciliar, Bumlai volta para a carceragem da PF

Fernando Garcel



O pecuarista José Carlos Bumlai, preso preventivamente na 21ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em novembro de 2015, se apresentou na manhã desta terça-feira (6) à Polícia Federal, em Curitiba. Bumlai estava em prisão domiciliar desde março deste ano para tratamento de um câncer, no entanto, a prisão preventiva foi restabelecida em 10 de agosto por determinação do juiz federal Sérgio Moro.

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Como Bumlai estava internado, a justiça adiou por duas vezes a volta dele para a cadeia. A defesa do pecuarista ainda tentou um último recurso, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Os advogados fizeram um apelo aos desembargadores e alegaram que o homem de 71 anos está doente – além do câncer ele também trata problemas cardíacos.

Apesar do apelo, a liminar foi negada pelo tribunal. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro questionou a veracidade dos atestados médicos apresentados pela defesa do pecuarista, que segundo o juiz eram muito vagos. Ele determinou que Bumlai fosse submetido a uma perícia médica do Ministério Público Federal (MPF) para comprovar necessidade de internação. Os exames devem ser realizados ainda nesta terça-feira.

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No processo, o MPF aponta “entranhas peculiaridades” na situação médica do pecuarista. “(…) este órgão ministerial [MPF] já apontara as estranhas peculiaridades da situação médica do nominado que, diante da cessação dos motivos que o mantiveram em prisão domiciliar, sem laudos de exames realizados, informara a necessidade de realização de tratamento em suposto problema cardíaco, o que ocorreria por 12 semanas. (…) Causa ainda maior perplexidade a reiterada descoberta de novos problemas de saúde ou o início de tratamento de doenças apenas após a decretação da prisão preventiva do investigado”, dizem os procuradores.

O pecuarista José Carlos Bumlai responde por crimes financeiros, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Força Tarefa da Lava Jato, ele tomou emprestado do Banco Schahin, em 2004, R$ 12 milhões. O real beneficiário deste dinheiro teria sido o Partido dos Trabalhadores (PT), que usou o montante para pagar dívidas eleitorais. Em contrapartida, o Banco Schahin foi beneficiado com contratos bilionários junto à Petrobras para operar navios-sonda.

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