Argello diz que só pediu doações legais a empreiteiras

Roger Pereira


Os advogados do ex-senador Gim Argello apresentaram, nesta segunda-feira, a defesa prévia do ex-senador na ação penal que tramita na 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato, em que ele é acusado de, como membro da CPMI da Petrobras de 2014, cobrar propina de empreiteiros para blindá-los de convocação para depoimento naquela comissão. Apesar da confissão de Ricardo Pessoa, da UTC, e de José Antunes Sobrinho, da Engevix de que pagaram R$ 5 milhões cada a Argello para não serem convocados para a CPI, a defesa do ex-senador nega a cobrança de propina.

Segundo a peça de defesa, Argello procurou os empreiteiros e obteve os recursos “como doações legais e registradas para a campanha eleitoral de 2014”, que, segundo os advogados, foi a mais cara da história por conta da polarização política que o país atravessava. “Candidato a reeleição para o Senado da República, Argello, como todos os candidatos, procurou as empreiteiras – reconhecidamente as maiores financiadoras de campanhas do país – pedindo doações legais e posteriormente declaradas para sua candidatura, sem nunca mencionar a condição de membro da CPMI para alavancar esses recursos”, sustenta.

“Se as empresas utilizaram de recursos não contabilizados para realizar tais doações, ou foram os recursos alocados à conta de sobrepreço na contratação de obras, tal como afirmado pela denúncia, isto, até agora, era de total desconhecimento do ora defendente, que efetivamente não tinha como saber de eventuais irregularidades mencionadas na peça de doação”, pondera a banca de advogadas liderada por Marcelo Luiz Ávila Bessa.

A defesa alega ainda a incompetência do juiz federal Sérgio Moro para julgar o caso. Primeiro por afirmar que a suposta cobrança de propina para blindar depoentes em uma CPI não teria relação direta com a Operação Lava Jato e segundo porque nas mesmas delações que Argello foi citado, há, também acusações contra o ex-senador Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União e, por isso, detentor de foro privilegiado. Como, segundo os delatores Argello e Rêgo agiam em conjunto, convocando os empreiteiros para reuniões, não há de acordo com a defesa de Argello, como desvincular as duas condutas.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal