Assessor de Argelo diz que foi chantageado e enganado pela PF

Roger Pereira


O ex-assessor de Gim Argello, Paulo César Roxo Ramos, réu de ação penal da 28ª fase da Operação Lava Jato, que apura a cobrança de propina por Argello a empresários para blindá-los da CPMI da Petrobras de 2014, disse, nesta segunda-feira, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que foi coagido e enganado pela Polícia Federal em depoimento que prestou em 15 de abril.

“Eu fui coagido, chantegeado, intimidado ostensivamente, de maneira pouco usual. Acima do que é aceitável de qualquer servidor público. O tempo todo me sendo disto que se eu não colaborasse, não falasse o que o delegado queria ouvir, minha prisão seria revertida em preventiva”, disse, ao justificar a Moro contradições entre o seu depoimento desta segunda-feira e o prestado há quatro meses.

Paulo Roxo disse que, quando foi depor, o juiz Sérgio Moro já havia revogado sua prisão, mas tal informação lhe foi omitida pela Polícia Federal que, após o depoimento, lhe entregou o alvará de soltura. Questionado por Moro se seu advogado não sabia da soltura, uma vez que a decisão constava no processo, ele negou. “Eu estava preso, meu advogado estava me acompanhando no depoimento. Quem sabia da decisão era a Polícia Federal e esse fato me foi omitido”, disse.

Admitindo que foi enviado por Argello para receber uma doação de 200 mil euros do empresário e lobista Júlio Camargo, Roxo negou o que havia afirmado no depoimento anterior, que, ao entregar o dinheiro a Argello teria reclamado de ter sido colocado em tal situação, de receber doações ilegais. “A queixa que fiz, foi quanto a minha integridade física, por estar transportando dinheiro em espécie”, disse. Questionado por Moro se, então, ele não se constrangia em transportar dinheiro ilegal, ele disse que, na sua opinião, ele estava buscando doação legal, com recibos e registrada na Justiça Eleitoral. “Mas receber em moeda estrangeira e em espécie é legal?”, replicou Moro. Ramos disse desconhecer a legislação.

Roxo ainda se declarou inocente no processo. Disse que foi coordenador de comunicação da campanha para o governo do Distrito Federal de 2014 e que apenas foi enviado por Argello para explicar como as doações que o então senador havia negociado com empreiteiros seriam aplicadas e para receber esse pagamento, que ele considera legal, de Júlio Camargo.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal