Bendine e outros cinco viram réus na Lava Jato

Fernando Garcel


O juiz federal Sérgio Moro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine e outras cinco pessoas alvos da 42ª fase da Lava Jato, batizada de Operaçao Cobra, nesta quinta-feira (24).

> Íntegra do despacho

Além de Bendine, tornam-se réus o doleiro Álvaro José Novis; os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e os delatores e ex-executivos da Odebrecht, Marcelo Odebrecht e Fernando Reis.

Eles serão julgados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e embaraço às investigações.

Denúncia

Nos e mails analisados pelos procuradores existem provas de que Bendine e André Gustavo tentaram obstruir a Justiça com o pagamento de impostos e contrato de consultoria. Bendine também teria tentado convencer o motorista pessoal para não prestar depoimento ao MPF em uma investigação de 2014.

Moro bloqueia mais de R$ 3 milhões de Aldemir Bendine
Bendine recebeu propina da Odebrecht durante investigações da Lava Jato

Questionados se a Petrobras continuaria como vítima mesmo com a atuação de Bendine, que foi nomeado para acabar com a corrupção, o procurador Athayde Ribeiro da Costa declarou que as investigações se referem a Bendine e condutas isoladas dele como presidente da companhia. “Não há, entre 2015 e 2017, envolvimento de outros diretores em uma parceria de corrupção orgânica na Petrobras”, declarou.

Fluxograma da propina de acordo com o MPF
Fluxograma da propina de acordo com o MPF

Os procuradores destacaram a importância dos acordos de delação premiada e de leniência firmados com a Odebrecht para que a Lava Jato chegasse até o ex-presidente do BB. “Não fosse o acordo firmado com a Odebrecht, não feriamos conhecimento desse fato gravíssimo Presidente da Petrobras pedindo propina em pleno desenrolar da Lava Jato”, explicou a procuradora República Jerusa Burmann Viecili, membro da força-tarefa.

Operação Cobra

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras foi preso no dia 27 de julho suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, ele realizou pagamento de impostos sobre o valor da propina para dificultar as investigações.

Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os valores para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano. O valor foi repassado em três entregas em espécie, de R$ 1 milhão cada, em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos São Paulo.

Um dos argumentos que levaram o MPF a pedir a prisão preventiva de Bendine foi a compra de uma passagem só de ida para Portugal por parte do investigado. À petição, os advogados do ex-presidente da Petrobras anexaram o bilhete de volta adquirido por Bendine, com data marcada para 19 de agosto pedindo a revogação da prisão.

 

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