Bendine pagou imposto sobre a propina para burlar fiscalização

Jordana Martinez


Preso nesta quinta-feira (27) durante a 42ª fase da Operação Lava Jato,  ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine pagou o imposto sobre a propina recebida da Odebrecht em 2015, para esconder os crimes, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa, integrante da força-tarefa da Lava Jato no MPF, em 2017, dois anos depois do recebimento dos valores, Bendine tentou declarar os recursos como sendo oriundos de uma suposta consultoria prestada à Odebrecht.

“Não houve contrato, não houve justificativa para a diminuição de uma consultoria no valor de R$ 17 milhões para R$ 3 milhões, valor que realmente foi pago. Tampouco não fazia qualquer sentido o recolhimento de impostos já em 2017. Para o MPF, esse recolhimento de imposto significa uma tentativa de ocultar e dissimular a origem criminosa dos valores e também ludibriar as investigações e obstruir a Justiça”, afirmou Costa.

“O presidente foi nomeado para acabar com a corrupção e estava praticando o crime. É indignante que durante o escândalo de corrupção na Petrobras pessoas utilizavam a companhia para praticar crimes e exigir recursos de acordo com as provas já colhidas”, afirmou.

Propina de R$ 17 milhões foi solicitada ainda quando Bendine era presidente do Banco do Brasil, antes da nomeação como presidente da Petrobras. Odebrecht só considerou necessário o pagamento após Bendine assumir a diretoria da estatal, podendo prejudicar a empreiteira nos contratos e, inclusive, nas investigações da Operação Lava Jato, segundo Costa. Os pagamentos começaram em julho de 2015.

Odebrecht pagou R$ 3 milhões em três parcelas para Bendine.

De acordo com a PF, os envolvidos utilizavam aplicativos de destruição automáticas de mensagens para ocultar as provas do crime.

“Há indicativos de que ele só deixou de receber vantagens indevidas com a prisão do ex-executivo da Odebrecht na 14ª fase”, afirmou o delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula. A fase da operação, ocorrida em junho de 2015, descobriu o setor de propinas estruturadas da empreiteira.

Entre os crimes investigados estão corrupção e lavagem de dinheiro. Também foram detidos o publicitário André Gustavo Vieira da Silva, representante de Bendine, e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior.

Os envolvidos realizaram movimentação om o objetivo de ocultar o pagamento de propina, a Receita Federal faz a auditoria dos valores pagos.

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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