Bumlai deixa de responder Moro pela ‘amizade que mantém com Lula’

Narley Resende


O pecuarista José Carlos Bumlai ficou em silêncio em audiência realizada hoje (30) na Justiça Federal em Curitiba, no processo em que o ex-presidente Luiz Lula da Silva responde por lavagem de dinheiro ou ocultação de bens. A defesa alegou que o pecuarista responde a diversos processos em andamento que envolvem a relação dele com o ex-presidente Lula.

A advogada Daniella Meggiolaro também mencionou a “amizade” e o “relacionamento que o cliente mantém com o ex-presidente Lula” para reservá-lo o direito de permanecer em silêncio.

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, considerou que o empresário tem o direito de não se incriminar, além de ressaltar que ele não é réu nesta mesma ação.

Bumlai compareceu à audiência em que foi convocado para depor como testemunha de acusação no processo contra Lula. De acordo a advogada Daniella Meggiolaro, qualquer resposta que ele viesse a dar sobre sua relação com o ex-presidente Lula teria relação com os processos em aberto.

“A denúncia diz expressamente que o meu cliente, José Carlos Bumlai, faria parte de um esquema criminoso, capitaneado pelo ex-presidente Lula, há várias passagens nesse sentido. O meu cliente responde a uma ação penal por suposta obstrução de Justiça por investigação de organização criminosa em co-autoria com o ex-presidente Lula. O meu cliente também é investigado em inquérito policial instaurado no Supremo Tribunal Federal por suposta organização criminosa também composta, além dele e do ex-presidente Lula, por outras pessoas”.

“Em razão disso, excelência, qualquer resposta que ele venha a dar sobre sua relação com o ex-presidente Lula, necessariamente terá relação com os fatos nos quais ele já responde à ação penal e inquéritos policiais”, declarou a advogada na audiência.

Meggiolaro citou a amizade que Bumlai mantém com Lula para justificar o silêncio.

“Até mesmo em relação à amizade e ao relacionamento que meu cliente mantém com o ex-presidente Lula, ele se reservará ao direito de não responder, de permanecer em silêncio, e quanto aos pontos específicos abordados na denúncia, aos pontos incriminados na denúncia, ele se encontra à disposição desse juízo, mas a defesa também adianta que desconhece completamente os fatos apurados  nessa ação penal”, disse a advogada.

O procurador Júlio Carlos Motta Noronha lamentou a estratégia da defesa em descartar o que seria uma oportunidade de esclarecer os fatos. “Diante desse posicionamento da defesa do senhor José Carlos Bumlai, considerando os depoimentos que ele já prestou e que estão juntados como documentos da denúncia, anexos da denúncia, e considerando que seria oportunidade para ele esclarecer o que tem lá, e pelo visto ele não quer esclarecer, eu desisto dessa testemunha”, concluiu.

Ao final da audiência, que durou pouco mais de 3 minutos, a única frase dita por Bumlai foi “bom dia, doutor Moro, muito obrigado”. Os advogados de Lula não quiseram se pronunciar nesta audiência.

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Em setembro, Moro condenou Bumlai, que foi apontado pelos investigadores como amigo pessoal do ex-presidente Lula, a nove anos e dez meses de prisão, como consequência das investigações da Operação Lava Jato.

Bumlai foi condenado por ter contraído um empréstimo, nunca quitado, de R$ 12 milhões no Banco Schahin com objetivo de usar o dinheiro para pagar dívidas de campanhas eleitorais do PT. Em troca, o grupo Schahin fechou um contrato de US$ 1,5 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras.

Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Bumlai cumpre prisão domiciliar, devido a seu debilitado estado de saúde.

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