Moro cancela depoimentos de seis delatores da Odebrecht em ação contra Palocci

Andreza Rossini


Com informações da BandNews Curitiba

O juiz federal Sérgio Moro acolheu pedido da defesa do ex-ministro Antônio Palocci e cancelou depoimentos de seis delatores da Odebrecht que seriam reinterrogados na próxima sexta-feira (05).

Moro manteve apenas o depoimento do delator e ex-executivo da empreiteira Fernando Migliaccio que não teve pedido de desistência solicitado pelo advogados de Palocci. A defesa do ex-ministro havia pedido que os colaboradores fossem reinquiridos depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou o sigilo dos acordos de delação premiada da empreiteira.

Em nova petição, protocolada no sistema da Justiça Federal na terça-feira (2), a defesa de Palocci não informou o motivo da renúncia, apenas esclareceu que as razões serão detalhadas em alegações finais, que é a última fase da ação penal antes da sentença do juiz.

A desistência pode ser mais um indício de que Palocci está negociando um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Os ex-executivos da Odebrecht seriam ouvidos em processo relacionado a 35ª fase da Operação, que apura se o ex-ministro recebeu propina para atuar a favor da construtora entre 2006 e 2013.

A denúncia está relacionada à obtenção, pela Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras. De acordo com os investigadores, os repasses feitos ao ex-ministro teriam passado de R$ 128 milhões.

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Já o re-interrogatório do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque está mantido. Ele permaneceu em silêncio na audiência realizada há duas semanas, mas agora alega que quer colaborar com as autoridades. Preso desde março de 2015, atualmente na Polícia Federal em Curitiba, Duque estaria na terceira tentativa de firmar um acordo de delação premiada.

Operação Omertà

Palocci foi ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e ministro da Fazenda de Lula e esta preso na capital paranaense desde setembro de 2016. Ele responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal, entre 2006 e 2013. A interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados, principalmente, ao Partido dos Trabalhadores (PT).

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