Cassação de Delcídio pode trazer um dos processo contra Lula para Curitiba

Roger Pereira


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode voltar a ser investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato e ter seu processo julgado pelo juiz federal Sérgio Moro, na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Com a cassação do mandato do senador Delcídio Amaral e a consequente perda do foro privilegiado do, agora, ex-senador, o Supremo Tribunal Federal tende a remeter para Curitiba os processos que envolvem Delcídio, que firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Entre os processo que podem “descer” para a primeira instância está a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por conta da tentativa de compra do silêncio do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Janot, que havia denunciado, neste caso, Delcídio, seu assessor Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves e o ex-advogado de Cerveró Edson Ribeiro, apresentou, na última semana, um aditamento à denúncia, incluindo Lula, o pecuarista José Carlos Bumlai e seu filho, Maurício Bumlai.
A denúncia foi feita ao STF por conta da condição de senador em exercício de mandato de Delcídio, único entre os denunciados, com prerrogativa de foro. Agora, sem o direito de Delcídio de ser julgado pelo Supremo, o processo deverá ser remetido à primeira instância.

Outro caso

A denúncia de Janot contra Lula no caso da suposta tentativa compra do silêncio de Cerveró não tem relação com outros dois procedimentos em que Lula é investigado: a compra de um apartamento triplex no Guarujá, com reformas bancadas pela OAS e a suposta ocultação de patrimônio com relação à propriedade de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. Essas duas investigações foram remetidas ao STF em abril, depois da nomeação de Lula para o ministério da Casa Civil. Mesmo com a nomeação de Lula anulada, o caso seguiu em Brasília por conta da revelação de gravações obtidas pela Polícia Federal que registraram conversas entre Lula e a presidente Dilma Rousseff em que, de acordo com as investigações foi tratada da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil com o objetivo de garantir-lhe o foro privilegiado. O Supremo ainda não decidiu se segue com o processo por conta da citação a Dilma ou se o devolve a Moro.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal