Cinco acusados na Lava Jato foram réus no “Mensalão”

Redação


A denúncia do MPF (Ministério Público Federal) ao empresário Ronan Pinto, na última sexta-feira, tem como eixo central R$ 5,7 milhões que ele recebeu de um esquema gerido pelo PT, mas a Lava Jato investiga se o repasse nasceu de uma chantagem envolvendo a morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, em 2002.

A operação que prendeu Ronan Pinto foi chamada de ‘Carbono 14’ por examinar fatos antigos, mas o assassinato de Celso Daniel é apenas um deles. Ao lado de Ronan, foram denunciados o publicitário Marcos Valério, o doleiro Enivaldo Quadrado e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Eles formam, com o ex-deputado Pedro Corrêa e do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, a lista crescente de acusados na Lava Jato que foram condenados no caso do mensalão, em 2013.

Sem títuloA repetição de nomes, segundo as investigações, não é coincidência. Ela é parte de uma convicção dominante no MPF e na PGR (Procuradoria-Geral da República) de que o mensalão e o caso Petrobras não foram episódios isolados, e sim parte de uni esquema de corrupção continuado no governo federal.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixou isso claro na semana passada, ao pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a inclusão do ex-presidente Lula e nomes da cúpula do governo no “inquérito-mãe” da Lava Jato.

“Essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”, escreveu Janot.

Entre outros fatos, Janot destacou a delação do presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, de que recebeu cobrança de propina de 1% de todas as obras da empreiteira desde 2003, no início do governo Lula.

DNA

O “gene comum” entre mensalão e Lava Jato foi citado pela primeira vez em agosto de 2015, na prisão de José Dirceu.

“O DNA é o mesmo, no caso do mensalão e na Petrobras, na Lava Jato. Não há muita diferença. A responsabilidade de José Dirceu é evidente lá (no mensalão] mas também aqui (Lava Jato)”, disse, na ocasião, o procurador do MPF Carlos Fernando dos Santos Lima.

Dirceu foi apontado como “instituidor” da corrupção na Petrobras por indicar Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobras, principal fonte de propina do PT.

Os réus do mensalão acusados na Lava Jato aparecem no contexto do primeiro governo Lula. Marcos Valério, Enivaldo Quadrado e Delúbio Soares participaram da ope-ração pela qual o banco Schahin emprestou R$ 12 milhões ao pecuarista José Bumlai a mando do PT.

Outro condenado no mensalão que se envolveu nesta operação é o ex-secretário do partido, Silvio Pereira. Ele chegou a ser preso e ainda deve ser denunciado.

(Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba)

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