Operação Lava Jato
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Cinco delatores da Lava Jato já citaram fundos de pensão

Rafael Neves, Metro Jornal CuritibaDeflagrada há uma semana, a operação Greenfield, que apura fraudes de pelo menos R$ 8..

Narley Resende - 12 de setembro de 2016, 14:09

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

Deflagrada há uma semana, a operação Greenfield, que apura fraudes de pelo menos R$ 8 bilhões nos quatro maiores fundos de pensão do Brasil, já cruza dados com a Lava Jato. A julgar pelas informações de pelo menos cinco delatores do esquema da Petrobras, esta colaboração deve aumentar ao longo da investigação.

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Todos os quatro fundos – Petros, Funcef, Previ e Postalis – foram citados por personagens da Lava Jato. Os indícios mais fortes são sobre a Petros, dos trabalhadores da Petrobras, e a Funcef, da Caixa.

Petros

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró afirmou ter recebido uma ordem do senador Edison Lobão (PMDB- -MA), então ministro, para destravar um aporte da Petros em um fundo de investimento criado pelo banco BVA, hoje falido.

Cerveró disse ter falado com o representante da Petros que questionava a negociação, e ela acabou sendo liberada. A Petros investiu R$ 256 milhões nesse fundo e teve prejuízo. A defesa de Lobão diz que ele nunca tratou desse assunto com Cerveró.

Em outro caso, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa disse que a empresa CSA, na qual ele trabalhava, captou R$ 13 milhões da Petros para um investimento que gerou, em troca, propina de R$ 3 milhões a diretores do fundo.

Funcef

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Investigada também na Lava Jato, a empreiteira Engevix recebeu, entre 2009 e 2010, R$ 440 milhões da Funcef para investimentos em empresas do grupo. Uma delas, a Desenvix, teria sido superestimada em seu valor para permitir que a Funcef pudesse injetar mais dinheiro nas operações.

A suspeita é de que o articulador dessa fraude tenha sido o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, também investigado em outras “frentes” sobre os fundos. O operador Milton Pascowitch confirmou que mediava propinas da Engevix a Vaccari. O petista, que nega as acusações, compareceu à CPI dos Fundos de Pensão, mas ficou em silêncio.

Postalis

O doleiro Alberto Youssef contou que tentou vender R$ 50 milhões em debêntures – títulos de crédito – da empresa de turismo Marsans ao fundo dos Correios, o Postalis. Ele afirma que tentou falar com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) porque ouviu dizer que o peemedebista tinha indicado o diretor financeiro do Postalis.

No fim das contas, porém, Youssef disse não ter sido recebido por Calheiros e a venda não aconteceu. O senador afirma “não ter relação” com a instituição.

Previ

Ao lado da Petros, da Funcef e da Valia – da mineradora Vale do Rio Doce –, a Previ, do Banco do Brasil, investiu dinheiro na Sete Brasil, empresa criada para construir até 28 sondas à Petrobras. Por ter investido apenas R$ 180 milhões, contra mais de R$ 1 bilhão desembolsados por Petros e Funcef, a Previ se livrou de um prejuízo maior, já que os aportes ainda não deram retorno

Os investimentos são citados por três delatores da Lava Jato – os ex-dirigentes da Sete Brasil Pedro Barusco e João Ferraz e o operador Milton Pascowitch –, mas não há um depoimento que cite propina na transação. João Ferraz garantiu que os fundos foram convencidos de que os investimentos valiam a pena

Outro lado

Os quatro fundos alvos da Greenfield dizem colaborar com a investigação. Petros e Postalis afirmam que os investimentos examinados são antigos – de 2009 e 2011, respectivamente – e a Previ ressaltou que a CPI dos Fundos de Pensão constatou regularidade nos investimentos da instituição.